Por Lorena Antunes 12/05/2011 às 17:25
Os pobres de João Pessoa-PB estão sendo vítimas do estado de Sítio. o Pedro Mundim tá fazendo escola.
Diz o Pedro Mundim:
"A idéia de que as diferenças sociais são a causa da criminalidade é ingênua. Há vários exemplos no mundo de países onde as diferenças sociais são equivalentes às nossas, como na Índia, e no entanto o número de crimes é significantemente inferior. A verdadeira causa da criminalidade - tanto do criminoso de colarinho branco quanto a do criminoso pé-rapado - é a impunidade. E o fato do criminoso de colarinho branco não ir para a cadeia não deveria nunca ser usado como pretexto para impedir que o criminoso pé-rapado também não vá para a cadeia, mesmo porque os criminosos pé-rapados são muito mais numerosos e perigosos que os criminosos de colarinho branco."
Ou seja, para o Mundim, os ricos não são punidos, mas os pobres não devem deixar de sê-lo, porque são muito mais numerosos e perigosos do que aqueles e porque "o favelado não respeita a lei porque a lei não corresponde a seus princípios e valores: ele acha normal fazer gatos, roubar, trabalhar para bandidos, fazer filho com 12 anos de idade, etc. Por isso a polícia precisa estar presente. Mas ao referir-se auma tal de Favelania, em lugar de Cidadania (sem entrar em detalhes do seria a tal Favelania) a impressão que eu tenho que você quer é dar uma chancela para esse modo de ser fora-da-lei caraterístico do favelado, criar uma "zona liberada" nas favelas onde vigorariam as leis dos favelados, seria assim como um país independente. É por aí?"
Pois em João Pessoa, "cerca de mil policiais civis, militares e federais participam de uma megaoperação no bairro de Mandacaru, em João Pessoa, na Paraíba, desde as primeiras horas desta quinta-feira. O objetivo é fazer uma varredura em casas da região em busca de armas, drogas e desarticular pontos que estariam sob o controle de traficantes. A polícia tem 60 mandados de prisão contra pessoas suspeitas de tráfico. Também serão vistoriadas cerca de 8 mil casas."
Será que há mandado judicial para vistoria dessas 8 mil casas? Ou será invasão domiciliar mesmo?
Contra os pobres toda essa operação de guerra, enquanto os barões do tráfico estão assistindo a tudo e tomando whisky. Mas, de acordo com o Pedro Mundim, não adiantaria perseguir os narco0-atacadistas pois:
"O crime não pode ser combatido pelo topo, apenas pela base, favela a favela, viela a viela, barraco a barraco, bandido a bandido. Aquele que está no topo, se eliminado, é prontamente substituído. Não importa quem está no topo. É preciso secar as bases."
"A farsa da "guerra às drogas"
Os governos latinoamericanos e a grande mídia aceitaram entrar nessa demente e hipócrita "guerra contra a droga" desatada pelos EUA, acatando essa visão tendenciosa do Império que protege e defende suas corporações das drogas "legais" (álcool, tabaco, psicofarmacológicos e todo tipo de medicamentos que transformas as doenças em crônicas e produzem dependência) enquanto pressiona o mundo para "combater" as drogas "ilegais" que justificam em seu próprio país o racismo, a penalização da pobreza e a implantação de um estado policial-penal para dominar desordens engendradas pelo desemprego massivo, a imposição do trabalho assalariado precário e a diminuição da proteção social.
www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/12/482426.shtml