Policiais militares, supostamente ligados ao 13º BPM (Planalto), em três viaturas, uma delas um Palio com a numeração 0713 ou 7013, teriam seqüestrado três adolescentes na noite do último dia 18, nas imediações do Instituto Salesiano, na Pampulha. Eles seriam encontrados mortos na manhã seguinte.
A denúncia foi feita ontem, por familiares dos adolescentes, ao ouvidor-geral Pedro Montenegro, e o assessor Tarcízio Ildefonso, ambos da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Atendendo à recomendação do ministro Nilmário Miranda, eles estão em Belo Horizonte para acompanhar as investigações sobre a possível atuação de grupos de extermínio na Região Metropolitana no últimos dois anos.
Os três garotos foram identificados por familiares no Instituto Médico Legal (IML) dois dias depois, como sendo Gerley Souza Costa ("Gerlinho", 16 anos); Daniel Martins Coelho ("Simbó", 17) e Thiago Roberto Freitas Santos, 19 anos. Seus corpos mostravam marcas de espancamento, coronhadas de espingarda calibre 12 nos rostos, e buracos de tiros de pistola PT-380 na cabeça.
Seus corpos, empilhados, foram encontrados na manhã do dia 19, no KM 502 da BR-040 (Rio-Brasília), na zona rural de Esmeraldas, Região Metropolitana, por uma cozinheira que trabalha no Posto Vipa.
Conforme o Hoje em Dia divulgou, com exclusividade, em sua edição do último dia 21 de fevereiro, pelo menos 50 corpos foram localizados na zona rural de Esmeraldas.
Desejo de justiça substitui medo de represálias
Os três adolescentes eram amigos e moravam nas imediações do Conjunto Confisco, no Bairro Estrela Dalva, região norte de BH. Segundo os familiares, eles eram usuários de drogas.
No local do crime, conforme os peritos atestaram, havia rastros no chão e o capim estava amassado, indicando que eles foram arrastados até o local da chacina. O sangue dos três, misturado, escorria pela terra e passava sob a porteira, conforme descreveu o delegado de Esmeraldas, José Plínio Cardoso, que apura o crime.
Ontem, Montenegro e Ildefonso tiveram o primeiro encontro com familiares dos três adolescentes executados. Na reunião, bastante tensa, os familiares revelaram, inicialmente, o medo de sofrerem represálias.
Mas, após algum tempo, denunciaram aos representantes da secretaria Especial de Direitos Humanos que um dos adolescentes estava sendo perseguido há tempos por policiais militares, sem identificação. Um deles seria um policial alto, branco, de cabelos pretos, "muito alterado". Eles alegaram que não denunciaram antes por medo, mas que agora, depois da morte dos rapazes, decidiram enfrentar a situação.
"Não temos mais medo de morrer. Nosso filho inocente foi assassinado desse jeito, nessa covardia. Depois de tanto sofrimento, perdemos todo o medo", disse a mãe de uma das vítimas, que reforçou as denúncias contra a atuação dos policiais militares.