Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2026

PMs que soltaram preso estariam sob nova suspeita

Sexta, 27 de Abril de 2007 às 07:47, por: CdB

O mesmo grupo de policiais do 1º Batalhão da Polícia Militar (Estácio), do Rio de Janeiro, que teria liberado de forma suspeita o traficante Thiago de Mello Castro, o TH, também é investigado por não ter apresentado à Polícia Civil supostas armas apreendidas no dia da invasão ao morro da Mineira. A informação estaria em um relatório da averiguação sumária feita pela Corregedoria da corporação.

Com base em seqüência de fotos feitas na hora em que os cinco foram detidos na caçamba de um caminhão no Cemitério do Catumbi, a Polícia Militar teria constatado que havia objetos no local onde o grupo estava escondido e admitiu, no relatório, que podem ser armas.

Esse material não foi apresentado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), onde foi feito o flagrante. No dia da invasão, que deixou 13 mortos, quatro pistolas e um fuzil foram recolhidos com os cinco jovens presos e apresentados na delegacia. Outros sete fuzis foram achados na favela durante a operação.

O relatório da investigação informa que o Centro de Criminalística da corporação preparou um laudo sobre as fotografias, que não indicou a existência de um arsenal, mas também não descartou essa hipótese.

O corregedor da corporação, coronel Paulo Ricardo Paul, confirmou que está sendo apurado se havia com os bandidos mais armas, que não foram apresentadas. TH é apontado como o líder do ataque à Mineira. Ele foi liberado porque PMs omitiram que teria participado da ação.

Ao todo, 11 policiais são investigados. Um deles, o tenente Jorge Eduardo Prates da Silva, teve prisão decretada pela Justiça, acusado de falso testemunho. Em novo depoimento, quarta-feira, o oficial mudou suas declarações e alegou não ter lido o registro de ocorrência.Outros três PMs foram afastados da função e estão respondendo a conselhos disciplinares, que podem levá-los à expulsão.

A seqüência de fotos mostra que os policiais, depois de prender os suspeitos e obrigá-los a deitar no chão, ficaram observando por algum tempo o que havia dentro da caçamba. Pelo menos um deles chegou a entrar no caminhão.

Em seguida, os mesmos PMs, entre eles o tenente Prates, mandaram as equipes de reportagem se afastar do local. Segundo o relatório, os policiais teriam decidido impedir que os jornalistas permanecessem perto do caminhão para que eles não pudessem registrar o que haveria na caçamba.

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