O delegado Luiz Antunes, da 35ª DP (Campo Grande), afirmou que os quatro PMs acusados de matar o casal de tenentes da Aeronáutica Larissa Carolina Rodrigues e Douglas Gorchinsky Marques, dia 24, em Campo Grande, apresentaram contradições durante a reconstituição do crime, nesta quinta-feira.
— Do local onde os PMs disseram que estavam, seria humanamente impossível enxergar a placa do carro dos militares e ver que o veículo era roubado — explicou Antunes.
Além dos PMs — tenente André Luiz de Oliveira Milagre, cabo Alexandre Conceição, cabo Ricardo de Oliveira Ferreira e soldado Eduardo Pinto dos Prazeres —, também participaram da reconstituição seis frentistas de posto perto do local do crime, oficiais da Aeronáutica, o pai e o tio de Larissa, que estavam em veículo atrás do EcoSport das vítimas. Na perícia, o lugar da tenente no carro foi ocupado por sua irmã, Evelyn.
Segundo o delegado, os PMs Alexandre e André contaram versões diferentes e contraditórias aos relatos das testemunhas. O tenente ainda afirmou que não viu o veículo que vinha atrás com o pai e tio de Larissa, gerando revolta nos parentes do casal, que o chamaram de mentiroso. Os frentistas, que caíram em contradição, serão chamados para novo depoimento.
O tio da vítima se emocionou ao relatar a tragédia. Quando mostrou a forma com que socorreu a sobrinha, ele caiu em prantos. O pai de Douglas ironizou a versão dos PMs: — Não foi um bloqueio, foi uma emboscada —.
Após a reconstituição, a mãe de Larissa, Ana Maria Rodrigues Chaves Andrade, divulgou carta expressando sua dor e revolta: — Não existirão mais natais, dia das mães, dos pais, aniversários, pois ela não estará presente. Não compreendo o tamanho da covardia, brutalidade de ‘policiais’ que sequer quiseram saber quem estava no carro, só queriam assassinar —.
O EcoSport foi abordado pelos PMs na esquina das avenidas Cesário de Melo e Pontes Leme. O casal tinha acabado de recuperar o carro, roubado horas antes em Padre Miguel.