A comunhão entre uma parcela do PMDB e o PFL já rendeu uma dor de cabeça para o governo nesta quarta-feira. A sessão do Congresso Nacional prevista para esta manhã foi suspensa, após o pedido de verificação de quórum feito pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na reunião, seriam votados diversos créditos suplementares ao Orçamento deste ano.
O líder do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA) avisou que o Partido "vai obstruir tudo" até que se chegue a um acordo para votação da Reforma Tributária, principalmente o aumento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o aumento das verbas para a Saúde em 2005, e do repasse federal para os estados exportadores (Lei Kandir).
Críticas
O líder reclamou ainda que as verbas destinadas ao Fundo de Desenvolvimento de Educação do Ensino Básico (Fundeb) ainda não foram empenhadas. Esse fundo, que ainda será criado pelo Governo, substituirá o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), e deverá financiar não só a educação fundamental, mas também a educação infantil, a média e a de jovens e adultos.
Aleluia também criticou o baixo empenho das emendas parlamentares neste ano, as quais, segundo o líder, ficaram abaixo de 50% do recursos previstos.
Sem apoio
O vice-líder do PSDB, deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), disse que seu Partido não acompanhará a obstrução do PFL. O PSDB, segundo Goldman, está disposto a votar os relatórios setoriais do Orçamento de 2005 ainda hoje, mas o parlamentar lembra que haverá dificuldades para se concretizar essa votação porque a Câmara marcou uma sessão, nesta tarde, para votar cinco medidas provisórias que retornaram do Senado Federal.