Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

PMDB pressiona, mas ainda avalia desembarque do governo

Deputados federais, ministros e senadores do partido têm se pronunciado sobre o assunto. Alguns dizem que o divórcio entre PT e PMDB é uma questão de tempo. Outros colocam panos quentes

Sexta, 25 de Março de 2016 às 11:38, por: CdB

Deputados federais, ministros e senadores do partido têm se pronunciado sobre o assunto. Alguns dizem que o divórcio entre PT e PMDB é uma questão de tempo. Outros colocam panos quentes

Por Redação - de Brasília
O desembarque da base aliada ao governo, como ameaça uma parcela do PMDB, ainda está longe de ser um consenso na legenda, embora o tempo para a definição se aproxime. Os dirigentes partidários anteciparam para o dia 29 de março a reunião do Diretório Nacional que definirá se a legenda permanece ou não na administração federal. Em princípio, o encontro ocorreria em 11 de abril, conforme havia sido determinado pela convenção nacional do último dia 12. Nesta sexta-feira, uma nota oficial do Diretório do PMDB fluminense antecipou a decisão do colegiado de partir para a oposição, mas o assunto ainda é controverso.
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O PMDB ameaça deixar a base parlamentar do governo nos próximos dias
Dois líderes peemedebistas afirmaram a jornalitas, nesta manhã, que a tendência é de entregar os cargos. Hoje o PMDB tem sete ministérios, um deles rejeitado pela cúpula do partido e questionado nas esferas internas. Um dos fatos que deve interferir em qualquer movimento dos peemedebistas é a pressão das ruas pela queda do Governo Dilma. — Antes, os protestos eram marcados por quatro bandeiras: Fora Lula, Fora Dilma, Fora PT e Viva (Sérgio) Moro. Agora, é praticamente uma bandeira só, que é o fim do Governo. Ao invés do Lula ajudar, atrapalhou — ponderou o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Wellington Moreira Franco. A instituição que ele preside é um braço do PMDB. Na visão de Moreira Franco, que foi ministro da Aviação Civil e dos Assuntos Estratégicos no primeiro mandato de Rousseff, não há mais razão para o seu partido continuar no Governo. O secretário-executivo da legenda, Eliseu Padilha, seguiu com o mesmo raciocínio e acrescentou que uma das razões para a ruptura é as eleições de 2018. — Temos propostas distintas para o país. As premissas do PT e do PMDB não só as mesmas. Queremos ter candidato à presidência e o Lula também disse que deverá concorrer. Não há razão para continuarmos juntos — afirmou Padilha, que também foi ministro da Aviação Civil. Deputados federais, ministros e senadores do partido têm se pronunciado sobre o assunto. Alguns dizem que o divórcio entre PT e PMDB é uma questão de tempo. Outros colocam panos quentes e dizem que ainda é cedo para saber. A chegada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governo conseguirá reverter o cenário da crise política, segundo concordam. — Ele tem uma habilidade política incomum e é nisso que confiamos para nos ajudar no Governo e no trato com o Congresso, mas principalmente para dar uma injeção de ânimo na economia — afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, o deputado federal licenciado Celso Pansera (PMDB-RJ). As escutas telefônicas divulgadas pelo juiz Sergio Moro, que envolvem Lula, seguida pelas decisões judiciais que suspenderam a posse do ex-presidente na Casa Civil, também devem comprometer o apoio dos peemedebistas ao governo no Congresso. O grupo governista diz que não saberia hoje quantos votos seus correligionários dariam para impedir o impeachment de Dilma Rousseff. Os opositores, por sua vez, estão otimistas e afirmam que entre 35 e 40 deputados, dos 65 da bancada, estariam dispostos a votar pela destituição da presidenta. — Em princípio não haverá nenhuma orientação do partido sobre o voto no impeachment. Sabemos que nossos parlamentares votarão conforme suas consciências, mas não deixarão de ouvir os anseios das ruas — ponderou Padilha. Outro fator que interferiu na decisão dos peemedebistas foi o convite feito ao deputado federal Mauro Lopes (PMDB-MG) para assumir o ministério da Aviação Civil. Lopes foi empossado na última quinta-feira, contrariando uma decisão do partido de que nenhum de seus filiados poderia aceitar cargos na União até que o Diretório Nacional tomasse sua decisão definitiva sobre o apoio à gestão Rousseff. Os principais líderes do PMDB, o vice-presidente, Michel Temer, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, não compareceram à posse. Temer foi duro e disse que Lopes afrontou a decisão do partido e reclamou do assédio do Governo. Nos próximos dias, o deputado-ministro tende a ser cassado do PMDB. Ao menos 12 processos internos foram abertos contra ele. Além do PMDB, o PP e o PRB dizem que vão se afastar de vez da gestão federal. No último dia 16, o PRB anunciou que romperia com Rousseff, prometeu entregar o ministério dos Esportes, hoje ocupado por George Hilton, mas ainda não o fez. Já o PP, diz que analisará o apoio nos próximos dias. Juntos, os dois partidos têm 69 deputados.
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