Impaciente com o que considera descaso e falta de articulação política dos governistas no Congresso, o PMDB resolveu cobrar do Palácio do Planalto maior participação do partido nas decisões de governo. Em encontro realizado na noite desta segunda-feira no Palácio do Planalto, o líder da legenda no Senado, Renan Calheiros (AL), apresentou as reclamações dos peemedebistas ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. - Estamos vivendo esta impaciência - avisou. - O que nós queremos é ter papel no governo. O PMDB é muito grande para ter um papel pequeno e não adianta participar pela metade - disse ao fazer questão de lembrar que, como a maior bancada na Casa, o partido é fundamental para o governo. Os peemedebistas são 22 no Senado enquanto o bloco governista soma 23 senadores. Segundo o senador, Dirceu entendeu o recado e colocou-se à disposição do partido. A primeira sinalização de boa vontade poderá ocorrer ainda nesta semana quando o ministro deverá participar de almoço com senadores da legenda. No encontro, Calheiros colocou claramente que o partido não aceitará votar com o governo sem ter direito a voz ativa na base aliada. - Não queremos participar apenas do exército de painel (de votações), queremos participar mesmo - afirmou. Nas últimas semanas, vários episódios provocaram irritação nas bancadas do PMDB no Senado e na Câmara. Parlamentares não conseguem ser recebidos por ministros, são pegos de surpresa por medidas do governo, principalmente as ações anti-populares. Eles condenam também a inabilidade de líderes petistas que acabam batendo cabeça nas operações de coordenação política e provocando episódios como o da CPI do Banestado. O último lance envolveu o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que esteve em um café da manhã com a base aliada no Senado. Para este encontro, o PMDB não foi convidado e nem avisado que seria o próximo da fila, o que causou mal estar na bancada. Diante do compromisso firmado com o governo e os votos que irão ajudar na aprovação das reformas, os peemedebistas acham que devem ser consultados pelo Planalto. A falta de sintonia é tamanha que sequer o conselho político, onde o PMDB teria cadeira cativa, foi instalado. Calheiros disse reconhecer a sobrecarga de trabalho e a falta de tempo dos ministros e da cúpula governista, mas afirma que o partido quer contribuir até mesmo para poder defender o governo. Segundo ele, no governo Lula o PMDB não quer repetir o papel exercido durante a administração FHC, recheada de divergências e com as adesões as custas de desgastantes negociações envolvendo cargos e liberação de verbas. - Não queremos repetir a relação que tivemos com o governo anterior. Hoje vivemos um momento de calmaria no partido - afirmou o senador.
PMDB pede maior participação no governo Lula
Terça, 08 de Julho de 2003 às 15:05, por: CdB