Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

PMDB e PDT conversam com base aliada sobre candidatura Dilma

O PMDB decidiu acelerar o processo de negociação com o governo em torno da aliança para a disputa presidencial de 2010. O PDT, por sua vez, conversou com a possível candidata petista sobre apoio em 2010. (Leia Mais)

Quarta, 07 de Outubro de 2009 às 08:40, por: CdB

O PMDB decidiu acelerar o processo de negociação com o governo em torno da aliança para a disputa presidencial de 2010. A cúpula peemedebista espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decida até semana que vem se o partido ocupará mesmo a vice-presidência na chapa do candidato apoiado pelo governo. A ideia com a decisão de apressar o processo de diálogo é estancar as eventuais dissidências peemedebistas nos Estados.

Após o jantar que terminou no fim da noite passada, com a participação dos principais nomes do PMDB, como o presidente do Senado, José Sarney (AP), da Câmara, Michel Temer (SP), vários ministros, entre eles o da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que o “pré-noivado” deve ser firmado logo.

– Vamos acelerar o processo de pré-parceria como forma de distensionar as questões estaduais – disse. Para Alves, o presidente licenciado do partido, Michel Temer, é o candidato mais forte para representar a legenda numa eventual parceria com o PT. Outra possibilidade, segundo ele, seria o ministro das Comunicações, Hélio Costa, caso o PSDB decida formar uma chapa pura, com os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG).

Nos Estados em que a situação é mais complicada, como o Pará e a Bahia, Alves afirmou que o partido deve mesmo seguir com a ideia de montar dois palanques. Os peemedebista esperam, agora, que a presidente Lula, que reassume suas funções nesta quinta-feira, após viagem ao exterior, converse com líderes do PT para que haja o anúncio do acordo na semana que vem.

Candidato único

Cortejados por pré-candidatos à Presidência, líderes do PDT compareceram a outro jantar, na noite desta terça-feira, desta vez com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). A ministra faz sua estréia na articulação política de sua própria candidatura. Cientes de que têm a oportunidade de elevar seu poder de negociação durante a formação das alianças que disputarão as eleições de 2010, os pedetistas, aliados do governo no nível federal, pretendem evitar uma decisão rápida sobre o apoio do partido no ano que vem.

O encontro será em um jantar na casa de Dilma, que retoma os contatos políticos depois de ter sido liberada de um tratamento contra um câncer.

– O importante para o partido é estar junto do projeto mais viável para a manutenção do nosso programa. Hoje seria a candidatura da ministra Dilma, mas ainda tem um ano para as eleições – afirmou a jornalistas o vice-líder da sigla na Câmara, deputado Brizola Neto (RJ), pouco antes do encontro.

Para o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical, o importante para o partido é conseguir apoio para seus candidatos aos governos estaduais e incluir no futuro programa de governo do aliado para presidente pautas de interesse dos trabalhadores, principalmente a jornada de trabalho semanal de 40 horas.

– Os nossos candidatos a governos de Estado têm que entrar nessa negociação – afirmou, complementando que atualmente a sigla tem pré-candidatos no Paraná, no Maranhão e no Amapá. Ele adiantou que a decisão deverá sair apenas em maio ou junho do próximo ano.

Alinhamento

A direção do partido tem afirmado que não haverá um alinhamento automático do PDT com a candidatura da ministra, a escolhida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sua sucessão. No entanto, vê nela as maiores chances de participar da coligação que sairá vitoriosa das urnas. Um segmento da legenda defende uma candidatura própria representada pelo presidente licenciado do PDT, o ministro Carlos Lupi (Trabalho e Emprego).

– Temos o nome do ministro Lupi para a vice-presidência – afirma Paulinho, ao dar uma opção diferente ao PT.

Em outra frente, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) colocou seu nome à disposição do partido. Ele fez da educação a sua principal bandeira na campanha de 2006 e obteve 2,6% dos votos válidos. Ficou em quarto lugar no primeiro turno.

Há ainda pedetistas que defendem uma composição com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), já apoiado pela sigla no passado. Ciro, no entanto, ainda não definiu seu destino em 2010. Não bastasse o assédio de Ciro e Dilma, o PDT também foi procurado pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que disputa com o governador de São Paulo, José Serra, o direito de concorrer à Presidência pelo PSDB.

Em junho, Lupi foi recebido em Belo Horizonte por Aécio e sinalizou que o PDT poderia apoiar o governador mineiro. Na época, o ministro argumentou que o PDT tem o compromisso de apoiar o governo Lula, mas que até o momento não havia debatido com o presidente as eleições de 2010.

– O alinhamento não é automático. Temos alternativas – reforçou o presidente em exercício do PDT, deputado Vieira da Cunha (RS).

O parlamentar lembrou que o PDT tem uma relação antiga com Dilma –filiada ao partido antes de mudar para o PT.

– Militamos juntos aqui no Rio Grande do Sul. Não descartamos estarmos juntos nas eleições do ano que vem e é coerente que apoiemos a candidata do presidente Lula, mas é cedo para o PDT tomar uma decisão – ponderou Vieira da Cunha. O PDT tem 23 deputados federais, cinco senadores e nenhum governador.

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