Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

PMDB cobra caro por apoio a Dilma, que está 'curada', segundo Alencar

Sexta, 22 de Maio de 2009 às 09:28, por: CdB

A demanda que o PMDB nacional vai apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima semana, vai custar caro: Abrir mão da candidatura própria ao governo de Minas Gerais para facilitar as conversas em torno do apoio à ministra Dilma Rousseff em 2010. Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais possui o maior número de convencionais peemedebistas. Qualquer decisão que passe pelo crivo dos filiados, tem de levar o Estado em consideração.

Lá, possíveis candidaturas petistas de Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social, e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel são obstáculo à candidatura do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), favorito nas pesquisas.

– Se não tiver Minas, perde a convenção – disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), referindo-se à proposta de aliança do PMDB com Dilma.

Mas ceder Minas é um desafio para o PT local.

– O teste para medir seriedade, lealdade e vontade (do governo federal) é ceder em Minas Gerais – acrescentou Alves.

Há quem diga no PMDB que, apesar dos flertes com Lula e, ao mesmo tempo, com a oposição, o partido tende a não anunciar apoio formal a nenhum candidato. A hipótese dá liberdade à legenda de exigir um preço alto do governo eleito para compor sua base de sustentação. Henrique Eduardo Alves está consultando todos os deputados da bancada para fazer uma radiografia sobretudo onde PT e PMDB concorrem. O objetivo é apresentar um mapa preciso ao presidente, em encontro previsto para a próxima semana.

– Não podemos ajudar o PT a ter poder nacional e tirar do PMDB a força nos Estados – pontuou.

Há urgência em resolver os conflitos locais, sobretudo após Dilma ter anunciado o tratamento de um câncer, o que levou o PMDB a reavaliar as condições e a vantagem de declarar apoio formal à chefe da Casa Civil.

– Na hora em que o presidente, no seu instinto político, lançou a Dilma, acelerou também os processos estaduais – ponderou Alves.

PT dividido

Patrus Ananias e Fernando Pimentel estão divididos. Enquanto Patrus não descarta concorrer ao Senado e apoiar o PMDB para o governo, Pimentel está mais reticente. Ele é aliado do governador Aécio Neves (PSDB) e ambiciona a sucessão ao Palácio da Liberdade.

– Nosso campo está conversando muito bem com o Hélio Costa. Não é desta vez que o PT nacional vai ter problema com Minas, não será desta vez que seremos um empecilho – disse o deputado Gilmar Machado (PT-MG), vice-líder do governo no Congresso e aliado de Patrus.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), tem defendido mais flexibilidade dos diretórios estaduais na construção das alianças, o que tem gerado desconforto junto a colegas com aspirações eleitorais. A disputa pelas vagas no Senado também é motivo de tensão. Dos 19 senadores peemedebistas, 15 vão tentar a reeleição. Destes, nove irão disputá-la com adversários do PT.

Nos Estados, o desafio é maior. Nas contas do partido, até agora, somente seis Estados (Goiás, Rio de Janeiro, Ceará, Amazonas, Alagoas e Piauí) dariam palanque para Dilma sem grandes dificuldades, o que mostra o longo caminho de negociações para atrair o robusto PMDB.

Curada

Um dos maiores aliados de Lula, em Minas Gerais, a exemplo da ministra Dilma, que luta agora contra um câncer, o vice-presidente da República, José Alencar, de 77 anos, enfrenta esse desafio de vida ou morte desde 1997. Ele afirmou na noite passada, durante solenidade na capital mineira, que a sua cura depende de Deus e que, por isso, não pode planejar disputar outra eleição para o Senado.

– Eu estou aguardando primeiro que Deus me cure, porque, se eu não estiver curado, não posso levar nenhuma proposta ao eleitor. Não seria honesto. Se eu não estiver em condição de saúde, não terei como exercer um mandato – disse, visivelmente emocionado.

Presidente em exercício, Alencar visitou o campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para conhecer as instalações da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Na ocasião, foi homenageado com o título de "Patrono da Carreira da Ciência e Tecnologia".

Alencar não se conteve e chorou em algumas passagens do seu discurso, após receber uma placa alusiva à presença dele e poemas de alunos e funcionários, que ele preferiu não ler em voz alta para "não chorar mais".

A saúde da ministra Dilma foi alvo de uma revelação de Alencar, que disse acreditar na cura da possível candidata à sucessão de Lula

– O caso dela é muito diferente. Ela está curada. Esse problema que houve agora foi efeito colateral da quimioterapia – afirmou.

Após cirurgia em janeiro último, para a retirada de um tumor principal e outros oito menores na região do abdome, Alencar recebeu a notícia, há uma semana, que novos exames detectaram a volta do câncer. Embora sinta-se fisicamente bem, o vice-presidente sabe que o problema está de volta.

– Estamos agora lutando por um medicamento novo que foi desenvolvido, mas ainda não está à venda. Lutando para que o laboratório ceda, para que nós façamos um tratamento que é adequado para o meu caso – afirmou.

De volta ao trabalho, nesta sexta-feira, a ministra Dilma reuniu-se, às 10h, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, no escritório da Petrobras, em São Paulo. Ela descansou, na véspera, por recomendação médica, e optou por cancelar vários compromissos em sua agenda pública. Entre os compromissos cancelados estava um encontro com militantes do PT e um almoço oferecido pela ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT).

Novo mandato

Ao encerrar sua visita à UFMG, em conversa com jornalistas, Alencar disse que não se pode falar em terceiro mandato para o presidente Lula porque isso não está previsto na Constituição, embora a sugestão agrade a uma grande parcela dos eleitores.

– Se houver uma pergunta ao povo brasileiro, o povo vai dizer que gostaria que o Lula ficasse mais tempo no poder – disse.

Diante da insistência das perguntas, o vice-presidente preferiu mudar de assunto quanto à possibilidade de uma consulta popular:

– Isso eu não acho e nem posso falar isso, porque sou vice-presidente da República – concluiu.

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