A Polícia Militar suspendeu a operação montada para cumprir liminar de reintegração de posse na área ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no município de São Lourenço da Mata, a 16 km do Recife. Mas o clima no acampamento - batizado como Chico Mendes - ainda é de insegurança e indefinição. Cerca de 300 famílias vivem no local. Um efetivo menor de policiais ainda está na área - até quata-feira, o grupamento contava com 300 policiais.
O promotor agrário do Ministério Público de Pernambuco, Edson Guerra, acredita que a ação tenha sido suspensa porque haveria risco de comprometer a integridade física dos acampados, que se recusavam a sair pacificamente do engenho de 580 hectares. Ele supõe que a polícia militar tenha recuado, levando em conta a questão social, na expectativa da retomada das negociações para uma desocupação espontânea da terra, que pertence ao grupo Votoratim.
A superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Pernambuco, Maria de Oliveira, informou, que o presidente da instituição, Rolf Hackbart agendou para o próximo dia 15, com a direção do grupo Votoratim de São Paulo, uma reunião, na capital pernambucana, para debater a possibilidade de desapropriação da área, com fins de reforma agrária.
O Incra enviou ao governo estadual, poder judiciário, polícia militar e Ministério Público de Pernambuco um documento, indicando que o processo de negociação do imóvel está em fase de andamento e pedindo a suspensão provisória do mandado de reintegração.
Segundo Joba Alves, da coordenação estadual do MST, os trabalhadores não querem deixar a área, que encontraram abandonada e transformaram em acampamento modelo, com produção agrícola. Uma equipe de advogados, da organização não-governamental Terra de Direitos vai entrar com um agravo de instrumento, ainda hoje, junto ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, solicitando a suspensão temporária da liminar de reintegração do engenho.