A assessoria da Polícia Militar esclareceu, na manhã desta terça-feira, que o sargento apontado como suspeito de envolvimento no atentado contra o delegado Alexandre Neto, no último domingo, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, se apresentou voluntariamente ao comandante do 19º BPM (Copacabana). Depois de se apresentar, o militar teve a arma acautelada - foi entregue voluntariamente ao comandante do batalhão - e o carro lacrado, também por iniciativa dele, para ser periciado.
Diferentemente do que foi informado na última segunda-feira pela Polícia Civil, o sargento não está detido. Ele se apresentará, junto com seu advogado, às 11h desta terça-feira na Delegacia de Homicídios, no Centro, para prestar esclarecimentos sobre o caso.
PM é suspeito, diz delegado
Segundo o titular da DH do Centro, Roberto Cardoso, o sargento suspeito é um dos policiais que aparecem numa gravação feita pela Polícia Militar, em fevereiro de 2006. As imagens mostram o momento em que o delegado Alexandre Neto discute com policiais militares. O policial civil teria estacionado em local proibido e foi preso por desacato.
Na delegacia, os policiais militares também foram autuados por abuso de autoridade. Alexandre Neto investigou os PMs e, agora, eles podem ser expulsos da corporação por envolvimento no jogo do bicho, mas negam as acusações.
Imagens vão ajudar nas investigações
Roberto Cardoso afirmou, na noite desta segunda-feira, que as imagens gravadas por câmeras de segurança de prédios e da Polícia Militar, no atentado ao delegado Alexandre Neto, em Copacabana, poderão ajudar nas investigações.
Cardoso chegou por volta das 20h15 ao Hospital Quinta D'Or, em São Cristóvão, onde Alexandre está internado. Segundo Cardoso, a polícia está avaliando o material para saber se há registros do carro usado pelos criminosos ou do momento em que o policial sofreu o ataque.
— Nada está sendo desprezado. Estamos trabalhando com todas as informações que podem ajudar a encontrar os autores dos disparos. Precisamos saber ainda se as imagens captadas vão poder identificar ou não os culpados e entender o crime — declarou.
Cardoso disse que algumas imagens já foram vistas e que outras serão analisadas na terça-feira.
Linhas de investigação
Figura controvertida, homem de amigos leais e muitos inimigos, Alexandre Neto é autor de um dossiê sobre atividades ilegais de um grupo de policiais do Rio ligados ao ex-chefe de polícia e atual deputado estadual pelo PMDB Álvaro Lins e à máfia dos caça-níqueis. O dossiê foi entregue à Polícia Federal em outubro do ano passado e serviu de base para o inquérito que acabou com prisão de alguns policiais durante a Operação Gladiador.
A polícia já tem algumas linhas de investigação para o atentado. O delegado - que já atuou em vários casos envolvendo policiais - pode ter, de acordo com os agentes, acumulado inimigos.
Este ano o delegado prestou um depoimento para uma operação da Polícia Federal que investiga a máfia dos caça níqueis. Alexandre denunciou o envolvimento de policiais civis, e do então chefe de polícia Álvaro Lins com a contravenção.
Álvaro Lins seria responsável por um esquema de proteção ao grupo comandado por Rogério Andrade, com a participação dos inspetores Hélio Machado da Conceição, o Helinho, Jorge Luiz Fernandes, o Jorginho e Fábio Menezes de Leão, o Fabinho.
Na semana passada Alexandre Neto encaminhou um ofício para a Secretaria de Segurança denunciando que o ex-diretor do Instituto Médico Legal, Roger Ancelotti, estaria trabalhando irregularmente na delegacia de saúde pública. Ancelloti continua trabalhando na delegacia.
Além disso, Alexandre Neto investiga se policiais militares teriam envolvimento em um possível seqüestro do traficante Francisco Testas Monteiro, o Tuchinha, do morro da Mangueira. O crime teria aco