Além de acusar Temer de ter praticado um golpe que culminou com o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, os manifestantes protestaram contra a suspensão de parte do programa Minha Casa, Minha Vida
Por Redação, com ABr - de São Paulo:
A Polícia Militar (PM) dispersou, no início da madrugada desta segunda-feira, com bombas de efeito moral e jatos d'água, o grupo de manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que acampavam nas proximidades da casa do presidente Michel Temer, no Alto de Pinheiros, bairro da Zona Oeste de São Paulo. Os militantes montaram as barracas no começo da noite de domingo, após participar de passeata contra o governo, que saiu do Largo da Batata, em Pinheiros, em direção à casa de Temer.
Na tarde de domingo, todos os acessos à Rua Bennet e à Praça Conde de Barcelos, no Alto de Pinheiros, foram fechados pela PM. Segundo a assessoria de comunicação da corporação, a decisão de interditar os acessos foi tomada em conjunto pela polícia, pelas Forças Armadas e pelo comando da segurança da Presidência da República. Temer havia deixado o local mais cedo e embarcado para Brasília por volta das 15h30.
Minha Casa, Minha Vida
Além de acusar Temer de ter praticado um golpe que culminou com o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, os manifestantes protestaram contra a suspensão de parte do programa Minha Casa, Minha Vida.
Na última terça-feira, o Ministério das Cidades revogou a portaria que autorizava a ampliação do programa com a contratação de unidades habitacionais na modalidade entidades.
Protesto
O protesto, convocado pela Frente Povo Sem Medo, que reúne diversos movimentos sociais, começou por volta de 14h de domingo. Pouco antes das 16h, os manifestantes seguiram pela Avenida Pedroso de Morais em direção a residência de Temer, no Alto de Pinheiros.
Os manifestantes decidiram, então, cercar os acessos à praça. “É ilegal, o nosso direito de livre manifestação está sendo cerceado, independente de quem veio a ordem. Nós ficaremos aqui, a rua dele está cercada, até que haja posicionamentos em relação a tudo que nós viemos trazer aqui hoje”, disse o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, um dos organizadores do ato.
– Aqui todos estão indignados com esse golpe que ocorreu no país e, por isso, gritam 'fora Temer!'. Mas aqui tem muita gente que veio de longe, do extremo sul, leste (de São Paulo), de ocupações. Vieram porque há poucos dias tiveram a notícia de que esse governo ilegítimo cortou as suas moradias que já estavam contratadas – destacou Boulos ao discursar no carro de som.