O Ministério Público mandou prender na manhã desta sexta-feira o policial militar Adelino Correia, de 37 anos, por aliciamento de menores. O cabo chegava para trabalhar por volta das 7h no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio. Ele trabalha na guarda palaciana, nas guaritas do palácio.
Adelino foi denunciado pelos crimes de exploração sexual infantil, rufianismo e cárcere privado. Além dele, os promotores Márcio Morthé e Delma Acioly também pediram a prisão preventiva de Sandra Lopes Arruda. Os dois são acusados de comandar uma rede de prostituição na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
Os policiais do grupo de apoio às promotorias de justiça (GAP) suspeitaram que algumas das garotas que faziam programa na Avenida Sernambetiba eram menores. Pediram a quebra do sigilo telefônico de duas delas e identificaram os suspeitos.
Além de escutas telefônicas, determinadas pela juíza Ivone Caetano, do Juizado da Infância e da Juventude, a polícia filmou algumas delas se prostituindo. A suspeita Sandra, sem perceber que era gravada, fez ameaças para que as jovens não parassem de trabalhar mesmo com chuva.
Ligações feitas de telefone da Secretaria de Segurança Pública
Numa das ligações rastreadas pela polícia, policiais do 31º BPM (Barra) pedem a Sandra “umas criancinhas” para uma festa. O telefonema teria sido dado do próprio quartel, numa linha registrada na conta da Secretaria estadual de Segurança Pública.
A sala em que ficaria o telefone foi identificada pela polícia e era reservada a policiais responsáveis por investigações sigilosas.
Em outra ligação, Sandra acerta levar mais “criancinhas” para um campeonato de golfe no dia 13 no Itanhagá Golf Club. Um terceiro telefonema mostra Adelino aplicando multa de R$ 300 reais a uma das meninas que teria cobrado muito pouco por fazer sexo oral sem camisinha num cliente.
Segundo o MP, Adelino já fez parte de uma milícia no Recreio dos Bandeirantes e hoje estaria a frente de um grupo clandestino na área da Tijuquinha, comunidade carente próxima à Barra, onde Sandra foi presa. Ela mantinha as crianças em cárcere privado.
O casal, preso temporariamente por 30 dias, pode pegar até 18 anos de prisão. Ainda sem advogado, Adelino presta depoimento na 16ª DP (Barra da Tijuca) e deverá ser encaminhado ao Batalhão Especial Prisional (BEP).
Prostituta devia R$ 19 mil a PM preso
Na casa de Sandra, foi encontrada uma jovem de 18 anos mantida em cárcere privado. — Ela contou que trabalhava para Adelino desde quando ainda era menor de idade. Disse que ainda que deve a Adelino R$ 19 mil, em multas que ele cobra quando acredita que um cliente não foi satisfeito — detalha a promotora Delma Acioly.
Segundo a promotora, as escutas telefônicas comprovam que outras meninas trabalham para Adelino e cada uma chega a ganhar R$ 600 por dia. —Quem tinha dívida, não recebia porque ele alegava que o dinheiro todo era para pagá-lo — diz Delma.
Antes de ser transferido para o Palácio do governo, A. trabalhava no 31º BPM (Barra). — Segundo a corregedoria da polícia, uma denúncia ao batalhão no início do ano já apontava o nome dele. Mas as investigações não avançaram e ele foi trabalhar no Palácio — conta Delma.
As investigações começaram em meados de julho por meio de uma denúncia recebida pelo Ministério Público.