Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Plínio de Arruda Sampaio vira sucesso no Twitter após debate

O socialista Plínio de Arruda Sampaio acordou, nesta sexta-feira, como o maior sucesso nos tópicos mais populares do Twitter mundial. Candidato à Presidência da República do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o renomado jurista, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, foi de peito aberto ao debate promovido, na noite passada, em um canal de TV.

Sexta, 06 de Agosto de 2010 às 09:06, por: CdB

O socialista Plínio de Arruda Sampaio acordou, nesta sexta-feira, como o maior sucesso nos tópicos mais populares do Twitter mundial. Candidato à Presidência da República do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o renomado jurista, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, foi de peito aberto ao debate promovido, na noite passada, em um canal de TV. Inteligente, irônico e mordaz, ele criticou o excesso de convergências entre os oponentes e se posicionou como a única opção divergente entre os demais. – Sou a diferença – definiu-se. Ele foi o primeiro a falar e brincou com o domínio na imprensa dos três líderes de pesquisa: – Opa! Eram três, agora são quatro, e tem muitos outros que não puderam vir a esse debate. Plínio abusou da naturalidade e nenhum dos três adversários ficou sem uma espetada do professor. Ele acusou Marina Silva (PV) de manter o discurso petista e de ser uma "ecocapitalista". – Não há como proteger o meio ambiente sem atacar o lucro – decretou. José Serra (PSDB) foi chamado de "hipocondríaco", por só saber falar de saúde, e de amigo "do latifúndio", quando o tucano declarou ser contra a desapropriação de terras com mais de 1 mil hectares, uma das principais propostas de Plínio. Quanto a Dilma Rousseff (PT), o candidato a acusou de maquiar números ao falar de reforma agrária. – Quem fez o programa da reforma agrária do Lula fui eu. (Vocês) Fizeram menos que o Fernando Henrique – estocou. Pouco antes, chamou a atenção para o fato de Dilma e Serra monopolizarem a conversa e ameaçou com bom humor: – Se vocês dois fizerem blocão, vou fazer bloquinho com Marina – levando-os ao riso. Em seu pronunciamento final, lamentou o tom "poliana" do encontro. – Para superar o muro entre as suas aspirações e a realidade do país é só com luta – finalizou, olho fixo na câmera. Ausente ilustre Principal padrinho da candidatura de Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou praticamente fora das mais de duas horas do debate realizado pela TV Bandeirantes na noite de quinta-feira. Lula foi citado pela petista apenas três vezes. A primeira às 23h20, uma hora e vinte minutos depois de iniciado o confronto, em resposta a uma questão sobre o programa Luz para Todos, do atual governo. Mereceu ainda uma outra menção dez minutos depois e só reapareceu nas considerações finais da candidata. João Santana, marqueteiro de Dilma, negou que fosse uma orientação sua, assim como o deputado Antonio Palocci (PT-SP), sentado a seu lado no espaço reservado aos principais assessores da petista. – Dilma não falou (muito) no Lula para não separar o presidente do governo. Para que (José) Serra, ao bater no governo, batesse no Lula também – ensaiou o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP). Para os adversários a interpretação foi outra: – Ele (Lula) não entrou no debate porque ela não queria a pecha de não ser nada, de não andar com as próprias pernas – cutucou o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra. Considerado morno, o debate teve troca de farpas, mas temas duros, como a recente acusação da campanha de Serra de que o PT teria ligações com as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc), nem foram citados. – Ele (Serra) não foi para o nocaute, não era o caso – explicou Guerra. A prova de que os candidatos trocaram farpas amenas é que nenhum deles precisou recorrer ao pedido de direito de resposta, que seria analisado por uma comissão formada por advogados e jornalistas. Parte da campanha de Dilma se ateve ao lado positivo das críticas do tucano ao governo. – Agora ele mostrou que é oposição, não é o pós-Lula – disse o deputado estadual paulista Rui Falcão, coordenador de comunicação da campanha petista. Audiência morna O primeiro debate da campanha presidencial atingiu audiência média de 3 pontos no Ibope, com pico de 6 pontos. Cada ponto no Ibope significa 55 mil domicílios. No mesmo horário, a TV Globo transmitiu o jogo entre São Paulo e Internacional pela partida de volta das semifinais da Copa Libertadores. – O efeito do debate no eleitor é muito pequeno – disse à agência inglesa de notícias Reuters o cientista político Sebastião Velasco e Cruz, professor da Unicamp. Ele acredita que as regras do debate afastam o eleitor: – Tem formato quadrado, rígido e foi desprovido da emoção de outros debates. E, ao contrário da campanha do PT, que acredita ter visto Serra assumir que é de oposição, o professor disse que "não houve discordâncias profundas (por parte de Serra), ele foi cosmético". – A popularidade de quase 80% de Lula explica o comportamento – afirmou. Dilma lidera a maioria das pesquisas de intenção de voto, seguida por Serra. Os próximos debates serão na RedeTV!, Record e Globo.

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