A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou uma pesquisa que mostra transferência excessiva de substâncias cancerígenas de filmes plásticos de PVC (policloreto de vinila) para alimentos gordurosos, sugerindo o uso restrito destas embalagens.
A conclusão é de um estudo de três anos sobre dois tipos de aditivos mais usados para dar flexibilidade aos filmes plásticos, o DEHP ftalato de di-(2-etil-hexila), e o DEHA adipato de di-(2-etil-hexila).
- Os aditivos não se ligam quimicamente ao produto e podem migrar para os alimentos com os quais ficam em contato - afirma a pesquisadora Shirley Abrantes, acrescentando que os alimentos gordurosos como o queijo, o frango e a carne bovina são os mais suscetíveis.
- A migração é mais intensa nestes alimentos devido à semelhança entre sua composição química e aquela encontrada nos aditivos usados pela indústria - explica ela.
De acordo com a pesquisadora, a legislação brasileira prevê limites apenas para o DEHP, que se mostrou relacionado ao desenvolvimento de câncer no fígado e a problemas de fertilidade em animais de laboratório.
Não há legislação sobre o DEHA, mas alguns estudos demonstram que seus efeitos são semelhantes ao do DEHP.
Para o trabalho, os especialistas analisaram amostras de filmes de PVC recolhidas em mercados cariocas pela Vigilância Sanitária. Depois, quantificaram a presença dos aditivos químicos, a taxa de migração destas substâncias para os alimentos gordurosos e a exposição dos consumidores.