Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Planos de saúde interferem na autonomia dos médicos e prejudicam pacientes

Nove entre dez médicos do Estado de São Paulo que têm ou tiveram algum relacionamento com operadoras de planos de saúde denunciaram interferência em sua autonomia profissional. A informação consta de levantamento feito pelo Datafolha a pedido da Associação Paulista de Medicina (APM). Os médicos disseram que os planos de saúde pressionam para limitar o número de pedidos de exames.

Sexta, 24 de Setembro de 2010 às 08:18, por: CdB

Nove entre dez médicos do Estado de São Paulo que têm ou tiveram algum relacionamento com operadoras de planos de saúde denunciaram interferência em sua autonomia profissional. A informação consta de levantamento feito pelo Datafolha a pedido da Associação Paulista de Medicina (APM). A pesquisa apontou ainda que 77% dos 403 profissionais entrevistados, no período de 23 de junho a 18 de agosto deste ano, disseram que os planos de saúde pressionam para limitar o número de pedidos de exames feitos pelos médicos. Um terço acha que a interferência que mais afeta a autonomia é a recusa do pagamento para procedimentos ou medidas terapêuticas. Além de limitar os exames, na opinião de cerca de 50% dos médicos, os convênios interferiram no tempo de internação dos pacientes, na prescrição de medicamentos de alto custo e no período de internação pré-operatório. Segundo o presidente da APM, Jorge Curi, a situação já era conhecida, mas a pesquisa confirmou a grave ameaça no atendimento qualificado pelos planos de saúde. Ele disse que a associação está discutindo o assunto há anos com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e com as operadoras, mas não tem encontrado solução. – É lamentável que as pessoas acabem dispondo de um contingente financeiro importante para garantir uma tendimento mais abrangente para sua família e infelizmente não atinjam esse objetivo. Curi disse ainda que o baixo preço pago pelas consulta (R$ 3,00 a R$ 4,00) também prejudica o atendimento. – Rápido nunca é bom, porque para uma boa relação entre o médico e o paciente é preciso entendimento, perder tempo para ouvir e entender melhor o problema do paciente, de forma a auxiliar para se programar melhor o tratamento. Da forma atual está totalmente prejudicada a relação médico paciente. Para modificar a situação, Curi aponta como solução o debate nacional com a participação da população que tem plano de saúde e com pesquisas de satisfação que indiquem os principais problemas do ponto de vista do usuário. – É necessária uma revisão urgente da regulamentação dos planos de saúde e, se não há poder para a agência regular esse mercado, esse poder tem que ser dado a alguém. Nós nos colocamos permanentemente abertos para negociar. Vamos levar isso ao Ministério Público Federal e pedimos providências urgentes da área legislativa e governamental do país. Em nota a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), afirmou que não faz parte de suas atribuições discutir remuneração a prestadores de serviços (médicos, hospitais e laboratórios). Segundo a nota, a entidade não participa das decisões sobre remuneração de serviços entre esses prestadores e as operadoras de planos de saúde, que já são consolidadas em contrato. – É, portanto, livre a negociação entre as partes sobre os serviços a serem prestados. A remuneração é variável tanto sobre os valores acordados como também sobre quaisquer outras particularidades do relacionamento entre operadoras de planos de saúde e seus prestadores de serviços –, destaca a Abramge.

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