Na noite dessa terça-feira, Ariel Sharon conseguiu o apoio do Parlamento para seu plano de retirada de soldados e assentamentos israelenses da Faixa de Gaza.
Os colonos terão até a última semana de julho para aceitar as indenizações do governo e se retirarem de forma voluntária. Caso contrário, serão expulsos. Ponto positivo para o processo de paz.
Ao mesmo tempo, na semana passada, o Governo de Israel confirmou os planos de aumentar o tamanho de seu maior assentamento dentro da Cisjordânia. Ponto negativo para o processo de paz.
Alguma coisa está errada nas intenções de paz de Sharon e isso pode ser percebido comparando as duas regiões.
Enquanto a Faixa de Gaza possui 362km quadrados, 1,3 milhões de habitantes, sendo 7.500 deles israelenses, a Cisjordânia é mais de cem vezes maior, tendo 5.860km quadrados, uma população de 2,2 milhões de habitantes, sendo destes, 400 mil israelenses.
A Faixa de Gaza tem terra árida, onde quase nada pode ser produzido, enquanto a Cisjordânia é a parte mais fértil da região, sendo banhada pelo rio Jordão.
É fácil perceber as intenções de Sharon ao desencadear esse processo unilateral, sem consulta aos palestinos.
Além disso, ainda há a questão de ser muito caro manter soldados protegendo cerca de sete mil israelenses, num pedaço de terra tão pequeno (45km de extensão por 10km de largura).
Mesmo após a retirada total de colonos, Israel ainda manterá o controle da fronteira, costa e espaço aéreo da região.
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