Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2026

Plano dos EUA não contém violência em Bagdá, diz ONU

Quarta, 25 de Abril de 2007 às 14:47, por: CdB

A violência sectária na capital iraquiana, Bagdá, continua provocando um grande número de vítimas, apesar do plano de segurança adotado pelos Estados Unidos na cidade há cerca de nove semanas, de acordo com um relatório publicado nesta quarta-feira pela Missão de Assistência para o Iraque da ONU (Unami, na sigla em inglês).

Segundo a Unami, "as mortes de civis na violência diária entre janeiro e março permaneceram altas, concentradas em Bagdá e suas imediações".

Apesar de ressaltar que não contém dados numéricos, o relatório disse que há provas de que a violência se manteve alta devido a "assassinatos em grande escala, realizados por grupos insurgentes, milícias e outros grupos armados".

Entre as vítimas estariam muitos civis, incluindo mulheres e crianças, em bairros xiitas e sunitas.
Em um comunicado emitido em resposta ao relatório da ONU, o governo iraquiano classificou o documento de parcial.

A nota diz que "o governo iraquiano anuncia suas profundas reservas em relação ao relatório, que apresenta falta de precisão nas informações, falta de credibilidade em muitos de seus pontos e falta de equilíbrio na apresentação da situação dos direitos humanos no Iraque".

O relatório da ONU critica o Ministério da Saúde iraquiano, por ter se recusado pela primeira vez a fornecer o número de mortos à missão da ONU, como costumava fazer no passado, "sem nenhuma explicação ou justificativa".

As conclusões do relatório no tocante às vítimas da violência foram baseadas em informações da imprensa e de testemunhas.

O missão explica, ainda, que "após a publicação do último relatório, em 16 de janeiro de 2007, o gabinete do primeiro-ministro disse à Unami que os números de vítimas fatais contidos no relatório eram exagerados, apesar de eles serem dados compilados e fornecidos por um ministério do governo".

A missão afirmou que as autoridades iraquianas anunciaram uma queda inicial no número de mortes na segunda metade de fevereiro, após a adoção do plano de segurança, mas ressaltou que "o número de mortes relatado cresceu novamente em março".

De acordo com a organização não-governamental Iraq Body Count, que faz uma contagem do número de civis mortos por causa do conflito no Iraque com base em notícias da imprensa e outros órgãos, na segunda metade de fevereiro, 462 civis foram mortos na capital iraquiana enquanto que na primeira quinzena de fevereiro 793 civis morreram em Bagdá. Já em março, o total de civis mortos noticiado pela Iraq Body Count foi de 970.

De acordo com a Unami, no início de janeiro eram encontrados até 50 corpos não-identificados quase que diariamente apenas em Bagdá e no fim de fevereiro, autoridades do governo disseram que este número tinha diminuído, graças ao plano de segurança.

Direitos humanos

O documento também diz que cerca de três mil pessoas foram presas em Bagdá desde o início do plano americano na capital iraquiana, em 14 de fevereiro, e que as autoridades iraquianas não foram capazes de garantir a eles direitos básicos.

O relatório expressa preocupação em relação à "deterioração da liberdade de expressão atingindo os meios de comunicação e seus funcionários, minorias étnicas e religiosas, grupos profissionais incluindo acadêmicos, que estão sendo vítimas constantes de extremistas religiosos e grupos armados em todas as regiões do Iraque".

A missão da ONU denuncia que os procedimentos adotados pelo plano de segurança em Bagdá não contêm nenhuma medida explícita que garanta o mínimo dos direitos humanos.
 

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