O líder da oposição de Israel, Shimon Peres, concordou nesta segunda-feira em trabalhar com o primeiro-ministro de direita, Ariel Sharon, para levar adiante o plano de retirada de Gaza e manter contatos para a formação de uma coalizão governamental, disseram fontes políticas.
Enfraquecido pela saída de aliados de extrema-direita furiosos com o plano de retirada, Sharon está explorando a opção de formar uma coalizão com Peres e seu partido Trabalhista, de centro-esquerda, para remover tropas e colonos da Gaza ocupada.
Os debates entre os mais experientes políticos de Israel, que são amigos apesar das diferenças, estão em estágio inicial, disseram as fontes. As negociações sobre cargos em um governo de coalizão não começaram.
"Eles concordaram em apoiar o plano de Gaza", disse uma fonte graduada. "Peres disse que ainda precisa de um mandado do partido se os trabalhistas forem aderir ao governo".
Peres - que há muito tempo propõe abandonar Gaza - saiu sorrindo de um café-da-manhã com Sharon, mas não fez comentários.
Como preço para entrar na coalizão, Peres, de 80 anos de idade e ganhador do Nobel da Paz, exigiu uma retirada mais rápida e também negociações com palestinos. O plano de Sharon prevê a retirada até o final de 2005.
Mas fontes próximas dizem que outro obstáculo para a adesão do governo seria o desejo de Peres de voltar ao Ministério do Exterior, mas demitir o atual ministro, Silvan Shalon, poderia fortalecer a oposição a Sharon no seu partido, o Likud.
O gabinete de Israel aprovou o plano de retirada depois que Sharon demitiu dois ministros de ultradireita, mas isso custou ao ex-general a maioria no Parlamento. A maioria dos israelenses apóia o plano de saída de Gaza, onde 7.500 colonos vivem em enclaves fortemente vigiados em meio a 1,3 milhão de palestinos.
A violência cresceu em Gaza desde que Sharon apresentou seu plano, no início do ano. Na manhã desta segunda-feira, tanques e escavadeiras entraram na cidade de Khan Younis para demolir posições de disparos de morteiros e foguetes, disse o Exército.
Médicos palestinos afirmaram que um paraplégico de 70 anos de idade morreu quando sua casa foi demolida, mas o Exército disse que derrubou estruturas incompletas, e não prédios habitados.