O governo prepara, junto aos seu círculo mais coeso de colaboradores, uma contra-ofensiva às investigações em curso tanto na Comissão Parlamentar de Inquérito do "fim do mundo", como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já classificou a CPI dos Bingos, quanto na CPMI dos Correios, que ganhou fôlego para mais quatro meses de funcionamento. O próximo petardo contra a oposição, que domina as comissões, é uma representação ao Supremo Tribunal Federal que questiona os objetivos das investigações. Segundo o senador Tião Viana (PT-AC), as CPIs "perderam o rumo para se tornar um foco de oposição ao governo, com o simples objetivo de destruir".
A gota d'água para a base aliada foi o depoimento de Rogério Buratti, ex-assessor do então prefeito de Ribeirão Preto, Antonio Palocci, no qual ele envolve o atual ministro da Fazenda em um suposto ingresso ilegal de recursos no país, a partir de Cuba. Este fato foi considerado pelo presidente Lula como "fantasioso", em recente entrevista, mas foi suficiente para causar um ataque de nervos ao controlador da equipe econômica, principalmente após o "fogo amigo" da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.
O fato de as CPIs tratarem de assuntos amargos para o Partido dos Trabalhadores, como os assassinatos dos prefeitos de Campinas Toninho do PT e de Santo André, Celso Daniel, além dos desdobramentos no escândalo do "valerioduto", incomoda a direção petista que não está envolvida em nenhum destes episódios e parte do governo que não é do PT, mas sofre as conseqüências da morosidade com que a máquina administrativa trata assuntos emergenciais para o país. A comunhão destes dois setores, que encontra eco no Judiciário, passa a ser o principal ponto de apoio para a reação do governo.
Para o presidente Lula, como ele tem repetido aos seus colaboradores mais próximos, os deputados e senadores deveriam "apurar o que tem que ser apurado e punir quem tem que ser punido", mas não devem transformar o Congresso em um palanque eleitoral contra o governo, como tem acontecido. Evitar a convocação do ministro Antonio Palocci para depor em algumas das CPIs em curso, caso sua presença na Comissão de Assuntos Econômicos, no próximo dia 22, não seja bastante para aplacar a curiosidade dos parlamentares quanto aos temas investigados, será a prova de fogo para o pelotão de frente da base aliada.
- Tudo o que a oposição quer demonstrar, ao atrair o ministro Palocci para o olho do furacão, é a sua capacidade de produzir estragos no desenvolvimento do país. As forças retrógradas e conservadoras que agem por trás destes interesses tenta, na realidade, arrasar o país como forma de derrotar o governo. Estão jogando fora a criança, junto com a água suja - afirmou o senador.
As reclamações do senador petista encontram eco na própria CPI dos Bingos. Segundo o relator, deputado Garibaldi Alves (PMDB-RN), "é inegável a dispersão nos trabalhos de investigação".
- É preciso que se busque a concisão dos fatos, caso contrário haverá uma grande dificuldade na produção do relatório - disse a jornalistas.