A possível saída do assessor especial Marcelo Borges Sereno da Casa Civil foi afastada pelo Palácio do Planalto nesta segunda-feira, após notícias de que ele teria tomado conhecimento das atividades ilegais do ex-assessor da Presidência Waldomiro Diniz durante 2002, enquanto trabalhava na direção nacional do PT no Rio.
Sua saída teria como objetivo evitar novos constrangimentos para o ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu. Por Sereno passam várias nomeações do governo, como por exemplo, as nomeações federais do Rio.
Waldomiro foi flagrado em fita de vídeo pedindo dinheiro a um empresário ligado ao jogo para si próprio e para a campanha de candidatos a governos estaduais em 2002. De janeiro de 2003 a janeiro de 2004, Waldomiro foi subordinado de Dirceu. Ele foi exonerado em fevereiro, quando já era subordinado ao ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) com a divulgação do caso.
Na quinta-feira passada, o ex-secretário nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares disse em uma entrevista a um site que sabia de atividades ilegais de Waldomiro no Rio e que avisou articuladores do PT, entre os quais estaria Sereno.
A Casa Civil não esclareceu, porém, se Sereno deixaria o governo para coordenar a campanha do deputado federal Jorge Bittar (RJ) para a prefeitura do Rio neste ano. A assessoria de Bittar também não confirmou quem será o coordenador de campanha do deputado nas próximas eleições.
Nesta semana, a Assembléia Legislativa do Rio deve instalar a CPI que vai apurar as irregularidades na Loterj em 2002, período em que Waldomiro Diniz esteve na presidência da Loterj.
Ao mesmo tempo, o Congresso pode instalar uma CPI para investigar a corrupção nos bingos, o que pode levar a investigação das ligações de Waldomiro Diniz com o empresário do ramo Carlos Augusto Ramos, também conhecido com Carlinhos Cachoeira.