Depois do fracasso na tentativa de retirar assinaturas para a criação da CPI dos Correios, o governo tentará abortar a investigação valendo-se de um recurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Fonte do Palácio do Planalto informou que o governo usará sua maioria na CCJ para revogar decisão do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), que considerou constitucional e regimental o requerimento de CPI apresentado na sessão do Congresso na quarta-feira.
O recurso contra a decisão de Renan foi apresentado naquela mesma sessão pelo vice-líder do governo na Câmara, deputado João Leão (PL-BA). O deputado argumentou que o requerimento da CPI seria amplo e vago, não constituindo "investigação sobre fato determinado", como exige a Constituição.
Na sessão, Renan não aceitou o argumento, mas remeteu o recurso à CCJ da Câmara, que pode julgá-lo já na próxima semana. O requerimento da CPI será publicado com as assinaturas de 240 deputados e 52 senadores. Os líderes do governo asseguram que poderiam ter reduzido para 179 o número de deputados na lista, mas não tornaram públicas as desistências porque seria inútil; bastam 171 deputados para criar a CPI.
Mesmo assim, segundo fontes do governo, o Planalto avalia ter reorganizado sua base parlamentar no episódio. Ministros de todos os seis partidos da base envolveram-se nos últimos dias nessa operação.
Os articuladores políticos do governo reuniram-se ontem e calculam que a nova estratégia, de disputa na CCJ, pode ser bem sucedida, apesar do seu custo político considerado alto. Na batalha das assinaturas, o Planalto tinha como adversários os partidos da oposição e dissidentes de sua própria base parlamentar. Na CCJ, embora a maioria numérica entre os 103 componentes seja comfortável para o Planalto, o adversário formal será o presidente do Senado.
Planalto insiste em derrubar CPI dos Correios
Quinta, 26 de Maio de 2005 às 15:58, por: CdB