Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Planalto espera que Lupi se licencie do PDT

Segunda, 03 de Março de 2008 às 10:15, por: CdB

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, voltou a defender a idéia de que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, deixe o comando do PDT.
 
 – O meu conselho é que o ministro Carlos Lupi deixe a presidência do PDT e fique no Ministério do Trabalho. Toda essa marola sobre a assinatura de convênios entre o ministério dele e as entidades sociais e organizações não-governamentais (ONGs) só ganhou relevância porque ele continua no comando do PDT”.
 
Nesta segunda-feira, em Brasília, fontes ligadas ao Palácio do Planalto disseram que o governo veria “com alívio” o fim do problema causado pela resistência de Carlos Lupi de se licenciar da direção nacional de seu partido.
 
Os elogios do presidente Lula ao Ministro do Trabalho teriam a função de preparar uma “saída honrosa” para Carlos Lupi pedir licença das funções que exerce no Partido Democrático Trabalhista, onde é gestor de recursos provenientes dos cofres públicos, o Fundo Partidário.
 
No sábado, em São Paulo, durante a festa dos 30 anos de vida política do deputado e ex-ministro Aldo Rebelo (PC do B-SP), José Múcio já havia dito que Lupi teria de optar, nesta semana, entre o comando do PDT e o ministério. “Ficou incômodo”, havia dito o ministro das Relações Institucionais.
 
A Comissão de Ética Pública da Presidência já fez duas recomendações para que Lupi pare de acumular a função de ministro com a de presidente do PDT por avaliar que isso pode provocar conflito de interesses. O assunto deve voltar à pauta da comissão na próxima reunião, prevista para meados deste mês.
 
Os “conselhos” de Múcio ganharam relevância porque começaram a ser dados em público dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter defendido o pedetista e afirmado que ele tinha “o comportamento mais republicano que um ministro pode ter”. Para Lula, o fato de Lupi ser ao mesmo tempo ministro e presidente do PDT e assinar convênios com prefeitos e líderes pedetistas era “uma bobagem”.
 
Ele se referia às acusações de que o Ministério do Trabalho beneficiaria ONGs ligadas direta ou indiretamente ao PDT com convênios. O ministro chegou a apresentar uma lista de liberações para mostrar que entidades e prefeituras de seu partido não eram as que conseguiam mais recursos.
 
Na sexta-feira, Lupi voltou a dizer que não há fatos nem provas contra ele.

– Eu não tenho medo de suspeita, porque não há nenhum fato, não há nenhuma prova. Os convênios nem começaram ainda. Esses convênios são feitos através de licitações públicas. Você tem audiências públicas e editais publicados, disse.

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