Rio de Janeiro, 06 de Maio de 2026

Planalto e oposição partem para o tudo ou nada na Câmara

Governo e oposição travam nesta quarta-feira, nas eleições para a presidência da Câmara dos Deputados, seu mais importante combate político, desde o início da crise em maio. A eleição começou às 10h e o segundo turno, se confirmado, está marcado para as 18h. (Leia Mais)

Quarta, 28 de Setembro de 2005 às 07:42, por: CdB

Governo e oposição travam nesta quarta-feira, nas eleições para a presidência da Câmara dos Deputados, seu mais importante combate político, desde o início da crise em maio. A eleição começou às 10h e o segundo turno, se confirmado, está marcado para as 18h.

- É hora de saber quem tem maioria de fato no Legislativo: nós ou eles - definiu um ministro petista.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva engajou todos os seus ministros políticos na recomposição de sua base política. O governo quer recuperar o posto, que perdeu em fevereiro com a vitória de Severino sobre o petista Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) e, com isso, o controle sobre a pauta legislativa. A oposição mobilizou os governadores tucanos Aécio Neves (MG), Geraldo Alckmin (SP) e Marcone Perilo (GO), além do prefeito de São Paulo, José Serra, para fortalecer a candidatura de Thomaz Nonô, que tem o apoio também do PPS, PV, PDT e Prona.

O Planalto encara as eleições como oportunidade de obter também sua primeira vitória política expressiva desde que foi acuado por denúncias de corrupção envolvendo o PT, partidos da base aliada e figuras do governo. Esta é a mais importante articulação política desde a saída do ex-ministro José Dirceu, que era o homem forte de Lula, em junho, também sob suspeitas de envolvimento em corrupção.

Lula trabalhou nos últimos dias com sua nova coordenação de governo (os ministros Jaques Wagner, Dilma Rousseff, Luiz Dulci, Ciro Gomes e Marcio Thomaz Bastos), em sintonia com o presidente do Senado, Renan Calheiros. Uma vitória de Aldo Rebelo fortalecerá Renan na condição de principal aliado do Governo e homem forte do Congresso. O apoio de Renan foi decisivo na indicação de Aldo como candidato oficial, no lugar dos candidatos petistas.

Uma vitória de Nonô, ao contrário, consolidará o fracasso político do governo e a perda definitiva do controle sobre a agenda legislativa, a um ano da sucessão presidencial. Representará também o fracasso da nova coordenação e um perigoso revés para Renan, que perderia autoridade no Senado e em seu partido, o PMDB.

Tags:
Edições digital e impressa