O cenário de queda de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado passou a ser cogitado no Palácio do Planalto. Até a semana passada, prevalecia a avaliação de que Renan se enfraqueceria, mas permaneceria no comando da Casa.
Desde as revelações da Folha de São Paulo a respeito do alto valor da arroba dos bois de Renan, e da reportagem do Jornal Nacional questionando a lisura de suas operações de venda de gado, a situação do presidente do Senado voltou a se complicar.
Gravemente, na opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem sido solidário à distância, nas palavras de senadores aliados que estiveram com o petista.
A tentativa atrapalhada de aliados de Renan de abafar logo o caso trouxe dano à imagem do Senado, que já andava ruim. Agora, entre a solidariedade a um senador e o instinto de sobrevivência, parte dos governistas e até de oposicionistas 'simpáticos' a Renan não estaria uma absolvição com ares de pantomima.
O enfraquecimento político de Renan interessava a Lula, pois ele é um aliado que sabe ser duro nas cobranças de contrapartidas de seu apoio ao governo - cargos e verbas públicas. Sua queda ou o cenário de desmoralização de Renan, no qual o peemedebista tentaria se manter no posto a qualquer custo, não interessam ao governo.
Haveria, na opinião de articuladores políticos do presidente, semelhança com o processo que resultou na eleição de Severino Cavalcanti para presidente da Câmara em 2005. Naquele episódio, o governo perdeu de vez o controle de sua articulação política no Congresso.
A eventual queda de Renan poderia desencadear processo parecido no começo do segundo mandato de Lula, trazendo novamente complicações políticas num bom momento econômico. O presidente aguarda os próximos lances do agravamento da saúde política de Renan. Lula tem dito que a salvação do presidente está nas próprias mãos dele: se for verdadeira a sua versão a respeito dos recursos destinados ao pagamento de um pensão a uma filha.
Publicamente, o Palácio do Planalto deverá manter a posição de que se trata de um problema do Legislativo a respeito do qual não tem opinião.