Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Planalto avalia estragos que candidatura de Marina pode causar

Quarta, 26 de Agosto de 2009 às 08:48, por: CdB

O ingresso da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva no Partido Verde acontecerá neste domingo. Diante da realidade de mais uma candidata à sucessão presidencial, o Planalto começaou a traçar as projeções para 2010 e analisa os riscos potenciais da candidatura de Marina. O quadro mais negativo para a permanência do Partido dos Trabalhadores no poder, segundo esses analistas, seria ver a ex-ministra ao lado do PSDB num eventual segundo turno contra Dilma Rousseff, nome do governo.

Ao embarcar no PV, Marina aumenta as altas cotações de que está de corpo e mente na disputa de 2010.

– Ela ou deve ser oposição ou independente no segundo turno. Acho difícil ela apoiar a Dilma – disse aos jornalistas da agência inglesa de notícias Reuters uma fonte do governo bastante próxima ao presidente, sob condição do anonimato.

Seus passos sugerem que, ao menos no primeiro turno, ela não seria oposição, nem governo. O perigo que Marina encarna para o Planalto neste momento está menos nos votos que ela pode tomar de Dilma e mais em uma aproximação de ocasião com os tucanos. Tudo dependerá do discurso dos candidatos-pólo sobre desenvolvimento sustentável.

– Quem achar que a esquerda se alinhará automaticamente com o PT está muito enganado – disse à agência o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-ministro do governo Lula cujo partido está no arco de sustentação do presidente, mas com uma extensa lista de defecções locais.

Cristovam admite a possibilidade de seu partido também engordar o grid de postulantes no ano que vem, a exemplo do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), outro ex-ministro do governo pensando em concorrer.

– É a única candidatura que hoje me entusiasma – afirmou o senador do PDT, referindo-se à possibilidade de repetir a tentativa de chegar à Presidência, como em 2006, quando obteve 2,5% dos votos válidos.

A multiplicação de políticos animados com a sucessão foi catalisada com o anúncio de que Marina Silva deixaria o PT, após 30 anos de militância, passo para realizar um plano para lançar-se na corrida nacional. Quanto mais nomes, mais as chances de segundo turno. Em pesquisa recente do Datafolha, José Serra (PSDB) figura em primeiro lugar com 37% das intenções de votos. Com 16%, Dilma aparece em segundo lugar em empate técnico com Ciro, dono de 15%.

De acordo com o levantamento, Marina recebeu parcos 3%, mas tende a aumentar esse capital tamanha sua exposição garantida com o desembarque do PT e as especulações de uma candidatura nacional.

Há base real para se cogitar uma parceria com o PSDB. O futuro PV de Marina serve hoje a dois senhores: Integra a coalizão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a base de sustentação do governador de São Paulo, José Serra, favorito nas pesquisas de intenção de voto e principal oponente de Dilma.

A decisão dela, porém, tende a ser programática, não partidária.

– É prematuro supor que Marina, com o histórico político dela, vá apoiar o Serra num eventual segundo turno contra o PT. Isso pode ou não acontecer dependendo dos programas dos dois candidatos (Serra e Dilma) para a questão do desenvolvimento e da sustentabilidade. A principal contribuição da candidatura Marina é trazer o tema Meio Ambiente para o topo da agenda eleitoral – ponderou Amauri Teixeira, consultor da MCI Estratégia.

Tags:
Edições digital e impressa