“Achei o procurador supercompetente. Não queria estar lá.” De autoria de um ministro, a frase retrata o estado de espírito da equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ratificar a denúncia do mensalão, ontem, no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
A atuação de Antonio Fernando, indicado ao posto por Lula, fez crescer a aposta na abertura de processo contra denunciados.
Entre eles, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino. Ministros do STF e integrantes do governo prevêem que as ações penais serão abertas porque bastam indícios de crimes para que isso ocorra.
Além disso, seria uma solução politicamente mais cômoda para o tribunal. Primeiro, porque não soaria como tributo à impunidade, ao contrário do arquivamento. Segundo, porque, tecnicamente, a abertura de processo não representa condenação, o que dependerá da descoberta de provas irrefutáveis das supostas ilegalidades denunciadas.
- O governo espera que se faça justiça. Sem paixões - disse a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Desde a semana passada, o Palácio do Planalto trabalha para rechaçar eventuais implicações políticas do julgamento. O discurso corrente é de que será analisada uma denúncia criminal contra pessoas, e não contra o governo.
Cantilena
Divulgaram essa tese, entre outros, o ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT). Na última quarta-feira, foi a vez de o titular de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, aderir ao coro.
- Uma coisa de pessoas em situações específicas não significa que o governo está em julgamento. Nem que se queira distorcer isso da maneira mais radical se conseguiria induzir que é o governo.
Walfrido retomou outra cantilena cara aos governistas: o julgamento é prova de que as instituições estão funcionando perfeitamente.
- O bom é que essas coisas acontecem por forças das instituições, com direitos individuais garantidos, com total transparência, e o governo funcionando como se nada acontecesse.