Rio de Janeiro, 28 de Março de 2026

Pistas do dinheiro podem esclarecer denúncias contra PT e Serra

Por Nelson Breve - Solução do caso do dossiê e das denúncias contra Serra trazidas pela revista Istoé pode estar tanto no dinheiro apreendido com os intermediários vinculados ao comitê da campanha de Lula, quanto no dinheiro que os Vedoin disseram ter usado para honrar o combinado com um empresário supostamente ligado ao ex-ministro tucano Barjas Negri. (Leia Mais)

Quinta, 21 de Setembro de 2006 às 19:50, por: CdB

Não precisa ter garganta profunda para saber que o caminho do esclarecimento das duas pontas do escândalo do dossiê contra o candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, é o caminho do dinheiro. Tanto o dinheiro apreendido em poder de intermediários vinculados ao comitê nacional de campanha da reeleição do presidente Lula, quanto o dinheiro que os corruptores do esquema sanguessuga, Darcy e Luiz Antonio Vedoin, disseram ter depositado em contas de laranjas para honrar o combinado com o empresário Abel Pereira. De acordo com os vendedores de ambulâncias, ele seria o intermediário do atual prefeito de Piracicaba, Barjas Negri, um colaborador muito próximo de Serra, a quem substituiu como ministro da Saúde quando deixou o cargo para disputar a Presidência da República, em 2002.

"Garganta Profunda" é o apelido dado pelos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, do jornal The Washington Post, a um informante graduado do governo norte-americano, que ajudou a desvendar o escândalo de Watergate. Uma frustrada espionagem de campanha eleitoral que provocou a renúncia do presidente Richard Nixon, em 9 de outubro de 1974, dois anos depois de ter sido reeleito presidente dos Estados Unidos. No primeiro contato que teve com o informante, Woodward ouviu o conselho: "siga o dinheiro". A comparação com a trapalhada da compra do dossiê dos Vedoin é inevitável. Até porque veio a público juntamente com a descoberta de supostos grampos telefônicos em gabinetes de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tidos como rigorosos nos julgamentos de representações contra a coligação "A Força do Povo", encabeçada pelo presidente Lula.

Seguir o caminho da propina é tão importante para passar a limpo o sistema político nacional, quanto seguir o rastro dos financiadores da trapalhada do dossiê. Essa linha de investigação foi completamente abandonada pela imprensa, com o furor de mais um escândalo envolvendo petistas. Investigar tucanos é algo que não empolga as chefias de redações dos principais jornais e revistas do país, que por vezes levam ao lixo apurações consistentes de repórteres voluntariosos para não contrariar próceres do PSDB. A reportagem da revista Istoé contendo as denúncias dos Vedoin contra Serra e Barjas Negri merecia, no mínimo, ser considerada uma boa pauta. Nem precisava dar o tratamento que várias publicações receberam ao longo dos escândalos envolvendo petistas, o de simplesmente reproduzir denúncias para amplificar o alcance sem ao menos desconfiar das informações.

Se tivessem pautado a investigação, teriam verificado que um dos supostos laranjas, mencionados como "novos personagens" pela revista, é velho conhecido da Operação Sanguessuga. Funcionário do gabinete da deputada tucana Thelma de Oliveira (MT), Robson Rabelo de Almeida é um dos 79 assessores parlamentares denunciados pelo Ministério Público Federal por terem recebido dinheiro do esquema de venda de emendas parlamentares para fornecimento de ambulâncias e equipamentos hospitalares aos municípios por meio de licitações fraudulentas. Ele começou a trabalhar da Câmara em novembro de 1999, no gabinete do deputado Lino Rossi (PP-MT), então filiado ao PSDB. Rossi foi apontado nos depoimentos dos Vedoin como o parlamentar mais vinculado ao esquema, que teria apresentado a eles outros parlamentares para serem aliciados.

Em maio de 2000, Robson deixou de ser funcionário do gabinete de Rossi. Foi encaixado no quadro funcional da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, então presidida pelo deputado tucano Luiz Carlos Hauly (PR). Depois que Hauly deixou a presidência da Comissão, em maio de 2001, conseguiram encaixar o funcionário laranja no gabinete da Presidência da Câmara, que estava sob o comando do tucano Aécio Neves, hoje governador de Minas Gerais, candidato à reeleição. Em março de 2003, três meses depois que Aécio deixou a Presidência da Câmara para se dedicar à montagem da sua equipe de gover

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