Piratas somalis libertaram nesta quinta-feira, mediante pagamento de resgate, um navio ucraniano que levava tanques de guerra, segundo um homem que participou da mediação. O MV Faina foi capturado em setembro de 2008 com 20 tripulantes e uma carga de 33 tanques T-72, da era soviética, além de outras armas. O caso atraiu preocupação mundial quanto ao destino da carga bélica, cujo destino já era incerto.
– O último grupo de piratas já desceu e o MV Faina está libertado – disse à Reuters o mediador, pedindo anonimato e falando por telefone do porto somali de Haradheere.
De acordo com ele, na quarta-feira os piratas receberam um resgate de US$ 3,2 milhões.
Andrew Mwangura, da entidade queniana Programa de Assistência aos Navegadores da África Oriental, havia dito antes que cerca de cem homens armados estavam a bordo verificando o pagamento do resgate.
Ele disse àquela altura não ter recebido "nenhuma confirmação de que todos os piratas saíram do navio e que sua liberação é final".
– Só depois que o último homem armado desembarcar consideraremos (o navio) liberado – acrescentou.
O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, celebrou o fim do longo sequestro. "Os 17 marinheiros ucranianos poderão em breve ver seus entes queridos no solo ucraniano", disse ele em nota pela Internet.
O Quênia dizia ter comprado os tanques para as suas forças, mas diplomatas estrangeiros afirmavam que os equipamentos se destinavam ao sul do Sudão - um possível constrangimento para Nairóbi, que havia mediado um acordo de paz para essa região, que faz fronteira com o noroeste queniano.
Os piratas somalis já capturaram três navios em 2009, depois de um recorde de 42 sequestros no ano passado nas movimentadas rotas de navegação do golfo de Áden e do oceano Índico. A anarquia e a militância islâmica na Somália estimulam a prática da pirataria.
Numa reação internacional sem precedentes, mais de 20 navios de 14 países patrulham a região para tentar evitar os sequestros navais. A pirataria elevou o custo do seguro marítimo e leva algumas companhias a preferirem contornar o sul da África a passarem pelo canal de Suez, o que também aumenta o custo do frete.
Piratas somalis libertam navio ucraniano com tanques
Quinta, 05 de Fevereiro de 2009 às 08:45, por: CdB