Recorde de bilheteria nos Estados Unidos, Piratas do Caribe - O Baú da Morte, estreiou, nesta sexta-feira, nas salas de cinema do Brasil. Como a atração da DisneyWorld que inspirou a série de filmes, Piratas do Caribe - O Baú da Morte passa de uma fantástica seqüência de efeitos especiais para outra, com pouca substância para fazer a interligação. Parece que os criadores do filme decidiram que a narrativa não deve constituir obstáculo à diversão bucaneira.
Canibais, lutas de espada, um monstro marinho, brigas em tavernas, marinheiros sobrenaturais e fugas assustadoras passam pela tela numa profusão tão confusa que qualquer senso de rumo e objetivo se perde na aventura enlouquecida. Na realidade, o filme tem um objetivo apenas: dar a Johnny Depp o espaço necessário para que faça sua Grande Performance dos Sete Mares.
A expectativa em torno do segundo filme da projetada trilogia pirata é enorme. A maior parte da tripulação se reuniu novamente sob o leme do produtor Jerry Bruckheimer e do diretor Gore Verbinski, incluindo o indispensável Johnny Depp, Orlando Bloom e Keira Knightley. O segundo e terceiro filme da série foram rodados simultaneamente em locações no Caribe.
Johnny Depp se exibe durante todo o filme com uma expressão carrancuda e ao mesmo tempo espantada e a atitude de despreocupação total de um herói que sabe que tudo dará certo no final. Ele é a liga cômica que une a empreitada. Sua performance é puro prazer para os espectadores, algo que parece combinar Pernalonga, Peter Pan e Carlitos.
A trama de O Baú da Morte gira em torno de uma dívida de sangue do Capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) para com Davy Jones (Bill Nighy), um monstro legendário que vive no navio fantasma Flying Dutchman (Holandês Voador).
Para escapar de seu credor, o Capitão Jack precisa recuperar a chave do baú enterrado que contém o coração de seu eterno inimigo, que ainda bate.
Mas há outros interessados em conseguir o baú, especialmente o diretor da Companhia das Índias Ocidentais, lorde Beckett (Tom Hollander). Ele prende Will Turner (Orlando Bloom) e sua noiva, Elizabeth Swann (Keira Knightley), antes do casamento deles, com base em acusações falsas, para que Will seja motivado a encontrar o baú antes do Capitão Jack.
A história também inclui encontros com o pai de Will, Bootstrap Bill (Stellan Skarsgard), que há anos perdeu sua alma para Davy Jones, uma feiticeira jamaicana, Tia Dalma (Naomie Harris), e o informante Mercer (David Schofield), que trabalha para lorde Beckett.
Muitos dos personagens são seres monstruosos com fisiologias esdrúxulas - basicamente, cadáveres de marinheiros mortos que semeiam o terror pelos mares, como zumbis, e são recobertos de crustáceos em decomposição. O líder deles, Davy Jones, é a criatura mais espantosa do filme. Sua cabeça é a de um polvo cujos tentáculos brilham e serpenteiam. O visual se repete em outro monstro marinho, Kraker, que é uma versão gigante da cabeça de Davy Jones.
Bill Nighy faz um trabalho impressionante, conseguindo transmitir a essência de seu personagem atormentado, apesar de ter seu rosto escondido por efeitos especiais. Keira Knightley, mais linda a cada filme, é uma heroína pura e corajosa, capaz de muita ação física, mas recatada quando é preciso. Mas Orlando Bloom se mostra sério demais, como se estivesse representando Errol Flynn na tela, em lugar de uma versão cômica dele.
Uma objeção que se pode fazer ao filme é que a suposta aventura familiar se converteu em algo decididamente bizarro, embora provavelmente seja adequado ao espírito de nossa época. O filme transborda o máximo de sadismo alegre que cabe num trabalho liberado para menores.
Pássaros arrancam os olhos de cativos vivos, um pai tem que chicotear seu filho até arrancar sua pele, o Capitão Jack é preparado para ser assado, e a ameaça de estupro claramente ronda Elizabeth na prisão.
Esse grande cozido pirata é tempera