Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Pirataria: crise no Oscar chega aos tribunais

Domingo, 30 de Novembro de 2003 às 08:28, por: CdB

A Independent Feature Project (IFP), organização que reúne os produtores independentes norte-americanos, juntamente com 12 produtoras independentes, entre elas a Sandcastle 5 Prods., do diretor Robert Altman, entrou na justiça contra a decisão da Motion Pictures Association of América (MPAA), órgão que regulamenta a industria cinematográfica nos EUA, de proibir o envio de DVDs e VHS com os lançamentos, os chamados screener, para membros votantes de prêmios cinematográficos nos EUA. A IFP alega que a proibição dos screeners viola a lei anti trust e pedem uma indenização de pelo menos US$ 25 milhões.

O juiz Michael Mukasey, de Manhattan, dará o veredicto definitivo nesta quarta-feira. A principal preocupação da IFP é que os screeners são o principal instrumento de divulgação das pequenas produções e dos filmes estrangeiros. A determinação da MPAA, divulgada apenas no dia 30 de setembro, pegou todos de surpresa exatamente no ano em que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que distribui o Oscar, adiantou em um mês a sua cerimônia e embolou o calendário de premiações mundiais.A decisão da MPAA foi justificada pelo presidente da entidade, Jack Valenti, como sendo uma medida contra a pirataria. Segundo Valenti, na campanha para o Oscar de 2003, os 5800 membros da Academia receberam 68 DVDs dos quais 34 filmes foram pirateados antes mesmo de chegar aos cinemas. \

Mesmo com essa justificativa a determinação foi atacada desde o seu anúncio. A primeira manifestação publica de repudio foi um anúncio colocado nas principais publicações sobre cinema nos EUA pela Screen Actor Guild e Writers Guild of América e outros 350 nomes ligados a industria.A pressão sobre Jack Valenti foi tanta que, na primeira quinzena de outubro, uma serie de reuniões foram marcadas entre ele e os chefes dos grandes estúdios. O resultado dessas reuniões foi a liberação dos screeners apenas para os membros da Academia que assinarem um termo de compromisso se responsabilizando pelo DVD ou VHS retirado. A nova decisão causou a revolta de todos as entidades mundiais que distribuem prêmios, que exigiram de Valenti o mesmo privilegio

O beneficio não foi estendido a nenhuma outra entidade, o que fez o presidente da Hollywood Foreign Press Assoation (HFPA), Lorenzo Soria, telefonar para Valenti, dizendo que se os membros da HFPA não receberem os screeners terão dificuldade de anunciar os indicados no dia 18 de dezembro.Na verdade todo o barulho que foi feito faz parte do desespero que tomou conta dos responsáveis pelas campanhas de marketing dos estúdios. Há poucos meses da corrida por prêmios, com as campanhas já estruturadas, descobriram que teriam um mês a menos para a divulgação e que não poderiam contar com a principal estratégia, os screeners.

Nessa batalha quem saiu perdendo mais foram mesmo os independentes e os estrangeiros que viram suas chances de ser descoberto diminuírem drasticamente. Se nos anos anteriores eles contavam com a sorte de serem descobertos entre os mais de 60 DVDs enviados para a casa dos responsáveis pela indicações a prêmios, esse ano eles têm que lhes convencer de que são bons para os tirar de casa e assistir em sessões exclusivas.Caso o juiz Mukasey decida em favor da IFP será o fim de uma crise que chegou a cancelar premiações tradicionais como a entregue pela associação de críticos de Los Angeles . Já se a vitória for da MPAA veremos o começo de uma nova era na indústria de prêmio cinematográfico. Uma era em que apenas as grandes produções com grandes nomes envolvidos terão espaço e indicações.

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