O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira que "o pior da crise já passou no Brasil". Ele fez a afirmação durante audiência promovida pelas comissões especiais que analisam os efeitos da crise econômica mundial no país e pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio e de Finanças e Tributação, na Câmara dos Deputados.
– O fundo do poço já passou para o Brasil – disse o ministro. Acrescentou também que há sinais de melhora nas economias dos outros países. Ele chamou atenção, porém, para os ativos tóxicos (títulos sem validade no sistema financeiro), que ainda não foram solucionados.
Mantega afirmou que o mercado está um pouco mais calmo, e o crédito interbancário começou a financiar a produção. Segundo ele, a reunião do G20 (encontro de países ricos e emergentes) contribuiu para acalmar o sistema financeiro e o setor produtivo.
– Avançou um pouco por amenizar a desconfiança, mas há o medo de perder o emprego e o de fazer aplicações.
O ministro deixou claro, no entanto, que ainda é cedo para fazer previsões, porque a situação pode mudar. Disse, porém, acreditar no encurtamento da crise em razão das medidas que vêm sendo tomadas pelos governos mundo afora. Mantega também previu que no último trimestre a economia norte-americana já demonstrará sinais positivos, com reflexos para o Brasil e para os outros países.
Ele apresentou dados que mostram que, depois da China, o Brasil é considerado o segundo mais atrativo para os investidores. Durante a explanação que fez aos parlamentares, o ministro voltou a enfatizar que a crise financeira externa provocou forte deterioração, mas o Brasil reúne condições mais favoráveis para enfrentá-la. De acordo com o ministro, as medidas do governo atenuam os impactos e permitirão uma saída mais favorável para o Brasil. Ele voltou a dizer que o Pais foi um dos últimos a entrar na crise e pode ser um dos primeiros a sair dela.
Mantega citou várias medidas que foram adotadas pelo governo para enfrentar a crise, como o incentivo à construção civil, a ajuda de R$ 1 bilhão aos municípios e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a indústria automobilística.
'Tempestade'
Depois de chamar a crise financeira global de "marolinha", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a retração nos mercados de "tempestade", mas também avaliou que o pior da desestabilização econômica já foi superado.
– Já há sinais em alguns lugares que setores da economia estão se recuperando, mas quero dizer que continuo com o mesmo otimismo que estava em dezembro e janeiro. Não é por causa de uma tempestade que a gente vai ter qualquer problema. Eu, se pudesse fazer uma afirmação, eu diria que o pior efetivamente já passou. Trabalho com essa hipótese, quase com esta convicção – disse Lula a jornalistas após visita à feira Latin America Aero & Defense 2009, de equipamentos de defesa, no Riocentro.
Segundo Lula, "os dados vão mostrar se é verdade ou não".
O presidente declarou que o pico da crise ocorreu em dezembro após a falência do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos. Ele também acha que a reunião do G20 injetou otimismo na economia.
– A reunião do G20 produziu um efeito psicológico muito grande na economia mundial porque os países se deram conta que os dirigentes políticos querem resolver a crise e adotaram medidas extremamente importantes – disse.
Lula reafirmou que a economia brasileira continua sólida e que o mercado interno dá sinais de recuperação, dando como exemplos o aumento nas vendas de combustíveis e de automóveis e também a ampliação nos financiamentos da Caixa. Ainda na véspera, à tarde, em cerimônia de comemoração dos 110 anos da empresa Klabin, no Paraná, Lula disse acreditar que parte da crise é de fundo psicológico.
– Eu, às vezes, chego a pensar que 50% do resultado da crise é um pouco de pânico que tomou conta da sociedade – concluiu.