Rio de Janeiro, 16 de Março de 2026

Pinochet morre no Chile, aos 91 anos

O ex-líder do regime militar no Chile, Augusto Pinochet, morreu aos 91 anos de idade, na capital chilena, Santiago. Pinochet estava internado desde o domingo, 3 de dezembro, quando sofreu um ataque cardíaco. Ele foi submetido a uma cirurgia de angioplastia para evitar uma intervenção de maior risco. (Leia Mais)

Domingo, 10 de Dezembro de 2006 às 19:46, por: CdB
O ex-líder do regime militar no Chile, Augusto Pinochet, morreu aos 91 anos de idade, na capital chilena, Santiago. Pinochet estava internado desde o domingo, 3 de dezembro, quando sofreu um ataque cardíaco. Ele foi submetido a uma cirurgia de angioplastia para evitar uma intervenção de maior risco.

Nesta semana, os médicos haviam afirmado que o estado de saúde de Pinochet melhorara, mas o general não resistiu à enfermidade prolongada.

O militar comandou o golpe militar que derrubou o então presidente eleito, Salvador Allende, em 1973, ficando no poder por 17 anos.

Mais de 3 mil pessoas foram mortas durante o seu governo.

Ainda correm na Justiça chilena dois processos contra Pinochet, um por violação de direitos humanos e outro por evasão fiscal.

Na semana passada, ele emitiu uma nota na qual aceitou a responsabilidade política de tudo o que ocorreu no Chile enquanto ele estava no poder.

Mas ele afirmou que era preciso derrocar Allende para afastar do país o risco de um caos político e social.

"Enfrentarei de bom grado a humilhação [de ser julgado], perseguido e as injustiças contra a minha família em nome da paz e da harmonia que reinam hoje entre os chilenos", disse a nota.

O militar permanecia sob prisão domiciliar - seu estado de saúde precário o manteve longe dos tribunais.

A sentença foi emitida na investigação sobre o desaparecimento de dois seguranças de Salvador Allende, que seriam vítimas da "Caravana da Morte", grupo apoiado pelo regime militar que viajava pelo país para eliminar dissidentes políticos.

Reações

As reações à morte do ex-líder militar foram variadas. Simpatizantes que se reuniam em frente ao hospital onde ele estava internado desataram em prantos.

Mas vítimas do regime militar chileno e vozes internacionais lamentaram que o ex-general não tenha sido levado à Justiça pelos seus crimes.

- Para quem foi torturado, e particularmente para as pessoas que perderam entes queridos, creio que haverá muita raiva por ele ter escapado de processo - disse Sheila Cassidy, que foi presa e torturada no Chile dos anos 70.

O chanceler venezuelano, José Vicente Rangel, disse que "a morte sela a impunidade de Pinochet".

O FMLN, antigamente um dos principais grupos guerrilheiros da América Latina e hoje o principal partido de oposição de El Salvador, lamentou que Pinochet não tenha pago por seus "milhares de crimes".

Em Washington, o porta-voz do governo americano Tony Fratto afirmou  que "a ditadura de Pinochet foi um dos períodos mais difíceis da história da nação. Nossos pensamentos hoje estão com as vítimas de seu reinado e suas famílias".

Já na Grã-Bretanha, a ex-primeira ministra Margareth Thatcher disse que estava "muito entristecida" com a morte de Pinochet.

A baronesa tinha o general como um amigo, e gostava de sublinhar o apoio que Pinochet ofereceu à Grã-Bretanha nos anos 80, quando o aliado europeu travava uma guerra contra a Argentina pelas Ilhas Malvinas.

Thatcher visitou Pinochet quando ele cumpria prisão domiciliar na Grã-Bretanha, em 1998, depois que o juiz espanhol Baltasar Garzón expediu uma ordem de extradição na tentativa de julgar Pinochet por crimes contra a humanidade.

No fim, Pinochet não foi extraditado para a Espanha, como queria Garzón - o general acabou voltando ao Chile pouco mais de um ano depois.

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