Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Pilotos têm medo de dizer 'não', diz sindicato

Quarta, 18 de Julho de 2007 às 15:06, por: CdB

O diretor de Segurança de Vôo do Sindicato Nacionais dos Aeronautas, Carlos Gilberto Salvador Camacho, diz que os pilotos se sentem pressionados pelas empresas a pousar em Congonhas mesmo que se sintam inseguros em relação às condições do aeroporto – na teoria, qualquer piloto pode solicitar a mudança do aeroporto de destino alegando insegurança.

— O piloto tem que ir, ele vive disso. Se ele não for ele vai ter que explicar porquê —, afirmou em entrevista à BBC Brasil.

Camacho, que é comandante da Varig, diz que “duvida” que a partir de agora os pilotos irão evitar o aeroporto, embora afirme que toda a categoria se sente “cautelosa, preocupada e entristecida” com o acidente desta terça-feira, que deixou mais de 160 mortos.

Ele diz que “um ou outro” pode utilizar a prerrogativa de alterar a rota, mas não acredita que se torne a regra.

Alienação

— No conjunto os pilotos continuarão pousando, porque existe aquela pressão subliminar das empresas de que se você não pousar você está prejudicando a empresa, está prejudicando seu próprio trabalho e a empresa vive do que os passageiros pagam, seu salário vem daí e sua participação nos lucros idem. Então existe um certo comprometimento, uma cultura de conivência que não tem como derrubar —, afirma.

— Existe uma certa alienação —, diz ele para qualificar a atuação da categoria.

Camacho evita falar sobre as causas do acidente, mas afirma que, nas condições atuais, a pista deveria estar fechada com a chuva de terça-feira.

A informação sobre a pista molhada é recebida pelos comandantes do controle de tráfego aéreo, diz ele. Já informação sobre as condições de aderência da pista normalmente chega de forma informal, pelos colegas que pousaram antes.

— Utilizamos uma outra freqüência e aí se diz um para o outro: se cuida aí porque a pista está escorregadia. É isso que a gente usa no dia-a-dia —, explicou.

Mas, mais do que a pista, ele diz que o próprio aeroporto de Congonhas deveria ser revisto.

— O aeroporto é extremamente limitado. Foi construído num platô e não tem área de escape —, afirma.

Na impossibilidade de se aumentar a extensão da pista, ele diz que é preciso limitar o tamanho dos aviões que pousam no local.
 

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