Os pilotos do voo 447 da Air France lutaram por pouco mais de quatro minutos com os controles da aeronave antes de ela mergulhar no Oceano Atlântico com o bico para cima, matando as 228 pessoas a bordo, informou nesta sexta-feira (27/05) o BEA, órgão francês que investiga o acidente.
De acordo com o órgão, no momento em que o alerta de perda de aerodinâmica começou a soar – duas horas e meia após o avião ter deixado o aeroporto do Rio de Janeiro com destino a Paris – o comandante havia acabado de deixar a cabine para repousar. Este procedimento é normal, já que outros dois pilotos permaneceram na cabine.
Os problemas começaram quando o avião entrou em uma área de turbulência sobre o Oceano Atlântico. Quando o nível de turbulência aumentou, o copiloto desligou o piloto automático. O alarme de perda de aerodinâmica disparou por duas vezes.
Indicações inválidas
Os copilotos chegaram a chamar o comandante, que veio à cabine mas não assumiu o controle. Segundo os dados divulgados, houve desencontros nas informações dos medidores sobre a velocidade do avião. "Não temos nenhuma indicação que seja válida", disse o copiloto dois minutos e meio antes de cessarem os sinais.
A informação foi retirada das caixas-pretas do avião, encontradas a menos de um mês no fundo do mar, após dois anos de intensivas buscas. Ainda segundo a nota, o Airbus 330, que voava a 38 mil pés, caiu durante três minutos e meio, rolando da esquerda para a direita.
Os peritos franceses ressaltaram que estas são apenas as primeiras constatações sobre as circunstâncias da catástrofe e que é muito cedo para definir a razão da queda. O relatório final sobre as causas do acidente deve ser apresentado até o fim de julho.
A princípio, o BEA não pretendia divulgar qualquer informação a respeito das análises das caixas-pretas, mas a ampla especulação na mídia sobre as causas do acidente acabaram pressionando a mudança de planos.
MS (rts/afp/lusa)
Revisão: Roselaine Wandscheer