Rio de Janeiro, 15 de Março de 2026

Pilotos do <i>Legacy</i> declaram inocência em entrevista à televisão

Sexta, 15 de Dezembro de 2006 às 15:38, por: CdB

Em entrevista concedida na manhã desta sexta-feira ao programa Today Show, da rede NBC, os pilotos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, comandantes do Legacy envolvido na queda do Boeing da Gol ocorrida em 29 de setembro último, reafirmaram que estavam a 37 mil pés de altitude, e não a 36 mil, como previa o plano de vôo original, porque cumpriam instruções passadas pelos controladores de tráfego aéreo brasileiros.

O Boeing caiu em uma região de mata fechada de Mato Grosso depois de bater no ar contra o Legacy. Os 154 ocupantes do Boeing morreram. O jato, mesmo avariado, conseguiu pousar e seus sete ocupantes, seis norte-americanos, saíram ilesos.

- Nós estávamos fazendo exatamente o que deveríamos estar fazendo -, afirmaram os dois pilotos na televisão.

- Fomos instruídos pelos controladores de tráfego aéreo, no chão e no ar, que não deveríamos mudar de altitude -, disseram.

De acordo com o advogado Robert Toricella, que os acompanhava, a caixa-preta prova que eles foram orientados a permanecer a 37 mil pés. Durante a entrevista, Lepore e Paladino não mencionaram a tese da PF de que eles desligaram o transponder (equipamento anticolisão) do Legacy. Em relatório entregue à Justiça no começo desta semana, a PF afirmou que os dois pilotos foram negligentes e que voaram por mais de 50 minutos com o aparelho desligado.

No mesmo dia, em nota, os advogados contratados pelos norte-americanos no Brasil, José Carlos Dias e Theo Dias, acusaram o delegado da PF responsável pelo inquérito, Ramon Almeida da Silva, de acusar com base em um "universo técnico que desconhece".

Lepore e Paladino, por orientação de seus advogados no Brasil, não responderam às perguntas da PF (Polícia Federal), que investiga criminalmente o acidente, no único depoimento que deram. Eles foram ouvidos no mesmo dia em que receberam seus passaportes, que haviam sido apreendidos pela PF por ordem da Justiça, e retornaram aos Estados Unidos.

Naquele mesmo dia, após o depoimento os dois norte-americanos foram indiciados pelo crime de expor ao perigo uma embarcação ou uma aeronave, na modalidade culposa (sem intenção de matar) agravada por morte.

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