Vista externa da sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt
A crise econômica na Europa se acentua com nova queda do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro. No primeiro trimestre deste ano, o PIB da região caiu 0,2%, em comparação com os três meses anteriores. Essa é a sexta vez que ocorre queda do índice, o que demonstra um agravamento do quadro de recessão dos 17 países do bloco. O período é o mais longo da série histórica, iniciada em 1995.
Os números foram divulgados nesta quarta-feira pelo Escritório Europeu de Estatísticas. O resultado é pior do que a previsão de analistas, que era de queda de 0,1% do PIB. Na comparação com o primeiro trimestre de 2012, o PIB da zona do euro diminuiu 1,0%.
O resultado ruim vem, principalmente, da continuidade de queda na França, na Espanha e na Itália, além do baixo crescimento da Alemanha. Estas são as quatro maiores economias europeias. Na Alemanha, o crescimento foi de 0,1%, em comparação ao trimestre anterior. Já na França, a retração foi de 0,2%.
A recessão na Europa é perceptível pelas altas taxas de desemprego, principalmente entre os jovens. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa de desocupação de Espanha e Grécia ultrapassa os 54%. Em Portugal, Itália e Irlanda, mais de 30% dos jovens estão sem emprego.
A previsão do órgão é de que o desemprego jovem não ficará abaixo dos 17% até 2016 nos países desenvolvidos e na União Europeia.
Itália em dificuldades
A economia da Itália encolheu mais que o esperado no primeiro trimestre, ampliando a recessão do país para sete trimestres consecutivos e fazendo dela a mais longa desde que os registros trimestrais começaram em 1970. O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,5%, após contração de 0,9% no quarto trimestre do ano passado, e contraiu 2,3% na comparação anual, informou o instituto nacional de estatísticas ISTAT nesta quarta-feira.
– Isso é pior que o esperado e não oferece sinais de um fim para a recessão – disse Giada Giani do Citigroup, que estima que o segundo trimestre terá outra contração de mesma amplitude.
Pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters com analistas tinha apontado para contração no primeiro trimestre de 0,3%, com queda anual de 2,2%. O novo primeiro-ministro, Enrico Letta, que assumiu o poder no mês passado, enfrenta tarefa árdua de tentar estimular a economia, enquanto mantém o controle das finanças públicas.
O Ministro do Trabalho, Enrico Giovannini, que foi presidente do ISTAT até se juntar ao governo, disse neste mês que a atual crise econômica da Itália é a pior desde a fundação da república após a Segunda Guerra Mundial. Na semana passada, o Istat informou que a expectativa é de que o PIB diminua 1,4% neste ano, após a contração de 2,4% em 2012.
Indicadores apontam para outra queda do PIB entre abril e junho, embora possa ser menor do que no primeiro trimestre. O Istat não forneceu detalhes numéricos dos componentes do PIB em sua estimativa preliminar, dizendo apenas que a atividade na indústria e em serviços teve contração, enquanto a agricultura expandiu.
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