A economia brasileira cresceu 1,3% no terceiro trimestre do ano na comparação com o trimestre anterior, mas precisa crescer perto de 5% neste trimestre para fechar as contas desse ano no zero absoluto. O Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas produzidas no país, chegou a R$ 797 bilhões no período, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da estimativa feita na véspera pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que afirmou que a expansão no período seria de 2%.
A maior elevação foi registrada no setor industrial, cuja alta na produção chegou a 2,9%, seguida pelo setor de serviços, que apresentou expansão de 1,6%. Já a atividade agropecuária teve queda de 2,5%. Em relação ao mesmo período de 2008, o PIB teve queda de 1,2%. Nessa comparação, os serviços registraram o melhor desempenho, com alta de 2,1%, enquanto a agropecuária teve queda de 9,0% e a indústria, de 6,9%.
Na mesma comparação, o consumo das famílias aumentou 3,9%, o 24º período de crescimento consecutivo. Um dos fatores que contribuíram para o resultado foi o comportamento da massa salarial real, que cresceu 2,5% no terceiro trimestre de 2009, com aumento da ocupação e do rendimento médio do trabalho. A despesa de consumo da administração pública variou 1,6% na comparação com o terceiro trimestre de 2008 e os investimentos (formação bruta de capital fixo) caíram 12,5%.
No acumulado do ano, a soma das riquezas produzidas no país registrou queda de 1,7% em relação a igual período do ano passado. O IBGE também divulgou dados revisados relativos ao segundo trimestre do ano. Na nova leitura, a economia teve, naquele período, expansão de 1,1% em relação aos três meses anteriores (inicialmente, a elevação apontada foi de 1,9%), depois de ter caído 0,9% de janeiro a março (antes, o dado apresentado foi de queda de 0,8%).
Em relação ao segundo trimestre de 2008, a nova leitura revela retração de 1,6%, mais intensa do que a de 1,2% calculada anteriormente. Essa revisão de dados é realizada pelo IBGE após verificar informações de levantamentos posteriores, também feitos pelo instituto.
Bom desempenho
Economistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters esperavam, pela mediana das estimativas, a expansão de 2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. As projeções de 18 instituições financeiras variavam de alta de 1,6 a 2,8%. Na comparação anual, os analistas esperavam retração de 0,1%, com prognósticos que oscilavam de queda de 0,5 a expansão de 0,9%.
Levando em conta os componentes da demanda interna, a formação bruta de capital fixo – uma medida dos investimentos – cresceu 6,5% no terceiro trimestre em relação ao segundo. A demanda das famílias aumentou 2% e a do governo teve elevação de 0,5%. Em relação a 2008, a formação bruta de capital fixo desabou 12,5%.
O crescimento de 1,3% do PIB no terceiro trimestre deixa a economia brasileira em nível semelhante ao observado entre o final de 2007 e o início de 2008. Para que a economia fique situada no zero absoluto, o PIB precisa avançar 5% no quarto trimestre deste ano, em relação a igual período em 2008, quando começou o movimento de retrocesso da economia, sob efeitos da crise do capitalismo mundial.
Para crescer 1% em 2009, o PIB nacional terá que subir 9,1% no quarto trimestre, sempre em relação a período correspondente no ano passado. Para que a economia avance 0,5%, será necessário incremento de 7% no PIB do quarto trimestre.
– A indústria e o investimento apresentaram um bom desempenho no terceiro trimestre, em relação aos três meses imediatamente anteriores, nas ainda tem queda em relação mao ano passado – afirmou aos jornalistas a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
Previsão
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, na noite passada, disse que ainda acredita em um "resultado positivo" para a variação do PIB deste ano em relação ao ano passado.
– Mantenho minha previsão de crescimento de 5% em 2010. Para este ano, agora a previsão ficou comprometida com essa mudança toda de números, mas ainda acho que podemos ter um resultado positivo. Não vou arriscar número – afirmou.
Segundo o ministro, "do ponto de vista qualitativo, estamos crescendo". Mantega ressaltou que a indústria segue como principal ponto de apoio do crescimento e acrescentou que "o investimento está bombando, o que é muito bom".
– Vamos ter um final de ano com a economia girando em um patamar satisfatório e vamos entrar 2010 com a economia aquecida e crescendo a 5% – concluiu.