O Produto Interno Bruto do País cresceu apenas 2,3% em 2005, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. A alta ficou em sintonia com as previsões do mercado, que esperava crescimento entre 2,1% e 2,5%, mas é frustrante se comparada à expansão de 4,9% vista em 2004.
Os dados do PIB divulgados pelo IBGE mostram duas realidades distintas. A primeira é que o Brasil teve um crescimento abaixo do ideal em 2005, apesar do cenário externo favorável. A segunda é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é ruim de previsão.
O resultado é menor que a média de crescimento da América Latina e o pacto de estabilidade da União Européia - de 3%. O PIB argentino, por exemplo, subiu 9,0% em 2004 e 8,8% em 2003. Até a pobre Nicarágua cresceu o dobro da economia brasileira.
Quando se olha para os emergentes, a comparação também não ajuda o Brasil. China fechou 2005 com crescimento de 9,9% do PIB e já é a quarta economia do mundo.
Em outubro passado, em uma visita a Moscou, Lula previu um crescimento de 4% para o PIB de 2005. "Estamos empenhados num grande esforço de modernização e ampliação da base produtiva brasileira. Há décadas não estão reunidas no Brasil tantas condições macroeconômicas como agora. Como resultado, registramos o maior aumento do PIB em 2004, de 4,9%. Este ano, estamos para crescer novos 4%", concluiu o presidente.
Os números do IBGE também comprovam que o BC errou a mão na hora de promover o ajuste na inflação. Se não fossem os juros altos - em média 19,75% em 2005 - e uma política de crise em tempos de bonança, segundo analistas, o País poderia aproveitar a onda de otimismo no mercado externo e as previsões do presidente poderiam ser confirmadas.
Por setores de atividade que compõem o valor adicionado, o PIB da Agropecuária evoluiu 0,8% em 2005. Trata-se da menor taxa desde 1997, quando houve uma queda de 0,8%.
A Indústria produziu 2,5% mais no confronto com 2004, com destaque para o subsetor Extrativa Mineral (10,9%). O ramo de Serviços Industriais de Utilidade Pública mostrou avanço de 3,6%, enquanto a Indústria da Transformação e a Construção Civil indicaram o mesmo crescimento, de 1,3%.
Já o setor de Serviços mostrou variação de 2,0%, sendo que as maiores altas foram verificadas em Comércio, Transporte e Aluguéis (3,3%, 3,2% e 2,5%, respectivamente). Também apresentaram crescimento os subsetores Instituições Financeiras (2,4%), Administração Pública (1,7%) e Outros Serviços (1,3%). Com estabilidade ficou o subsetor de Comunicações (0,1%).
Pelos itens de demanda que formam o PIB, o consumo das famílias cresceu 3,1%, configurando dois anos seguidos de expansão. Ajudou a marcar tal desempenho a elevação de 5,3% da massa salarial dos trabalhadores, em termos reais. Também exerceu influência a elevação de 36,7%, em termos nominais, do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas.
No que diz respeito ao consumo do governo, avançou 1,6%. A formação bruta de capital fixo (indicativo dos investimentos) evoluiu 1,6% entre 2004 e 2005. No tocante ao setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 11,6% e as importações de bens e serviços, 9,5%. Um ano antes, as taxas tinham sido de, respectivamente, 18% e 14,3%.