Em 2002, metade do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas pelo país, que naquele ano era de R$ 1,3 trilhão) estava concentrada em apenas 1,3% dos municípios brasileiros (70 de um total considerado de 5.560), onde morava um terço (33,3%) da população, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa é inédita e os dados são referentes ao ano de 2002. O estudo mostra que a concentração da geração interna da renda e a difusão espacial da produção de riquezas já foi maior. Em 1999, somente sete municípios somavam 25% do PIB brasileiro.
Em relação ao PIB per capita, o setor petrolífero foi o principal responsável pela elevação dos municípios aos primeiros lugares. Na agricultura, os sete primeiros municípios são produtores de laranja, mas Petrolina, em Pernambuco, vem logo a seguir e sua principal riqueza vem da produção de goiaba, manga e uva, em função da fruticultura irrigada.
Na indústria, novamente a participação da indústria petroquímica, responsável pela inclusão de municípios fluminenses, como Campos, Macaé e Duque de Caxias entre os nove primeiros. Já o setor Serviços está concentrado principalmente nas capitais; apenas duas delas, São Paulo e Rio de Janeiro, concentram mais de 20% do total de serviços no País.
O cálculo do PIB dos municípios foi realizado integralmente pelos organismos estaduais, exceto no caso de Tocantins, cabendo ao IBGE coordenar as discussões metodológicas, treinar as equipes técnicas e acompanhar os trabalhos.
Em 2002, metade do PIB (Produto Interno Bruto) nacional estava concentrado em apenas 1,3% dos municípios brasileiros (70 de um total considerado de 5.560), onde morava um terço (33,3%) da população. Nove municípios sozinhos - seis deles localizados na região Sudeste - respondiam naquele ano por um quarto (25%) de todos os bens e serviços produzidos no país. Nelas viviam somente 15,2% dos brasileiros.
No outro extremo, o mesmo percentual de 25% da produção ficava a cargo de um contingente de quase 93% das cidades existentes (5.153 municípios, em números absolutos), que reuniam 43,3% da população. E das 50 cidades com menor PIB em 2002, 48 (96%) eram das regiões Norte (mais precisamente no estado de Tocantins) e Nordeste (nos estados do Piauí e Paraíba).
A concentração na produção e as desigualdades regionais estão retratadas nos resultados do projeto PIB dos Municípios, desenvolvido desde o ano 2000 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em parceria com os órgãos estaduais de estatística, secretarias estaduais de governo e a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
A série histórica mostra que a realidade de 2002 era bem parecida com a verificada nos anos anteriores (1999, 2000 e 2001), mas a pesquisa mais recente revelou algumas mudanças.
No ranking dos municípios que representam 25% do PIB, por exemplo, as principais alterações foram a inversão de posições entre Manaus e Belo Horizonte, a saída de Porto Alegre e a inclusão, na lista, de três municípios que não são capitais: Duque de Caxias (RJ), Guarulhos (SP) e São José dos Campos (SP).