Quinta, 27 de Fevereiro de 2014 às 10:25, por: CdB
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemora o resultado do PIB de 2013
A economia brasileira surpreendeu no final do ano passado ao crescer mais do que o esperado, evitando que o país entrasse em recessão técnica e calando um dos principais argumentos usados por segmentos mais pessimistas do empresariado. Os resultados, porém, ainda não são suficientes para uma mudança geral das expectativas de um ano mais complicado para 2014. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,7% no quarto trimestre de 2013 na comparação com os três meses anteriores, com destaque para o setor de serviços e o consumo do governo e das famílias, que apresentaram expansão.
Em relação ao quarto trimestre de 2012, o avanço foi de 1,9%, fechando 2013 com expansão de 2,3%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Em 2012 a economia havia crescido 1,0%. A mediana de previsões de analistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters apontava para crescimento de 0,3% do PIB sobre o terceiro trimestre de 2013, de 1,6% sobre o quarto trimestre de 2012 e de 2,2% em 2013 como um todo.
Mantega comemora
Ministro da Fazenda, Guido Mantega comemorou o crescimento de 2,3% do PIB. O crescimento de 2013, segundo ele, denotou uma expansão de qualidade, puxada pelos investimentos. Mantega acrescentou que o crescimento mostra que a economia está em trajetória de aceleração gradual em relação ao ano anterior, 2012, quando cresceu 1% (0,9%). Ele disse que o resultado prosseguirá como tendência em 2014.
– É importante ressaltar que o crescimento de 2013 foi um crescimento de qualidade (já que) foi puxado, entre outras coisas, pelos investimentos – afirmou.
Segundo o ministro, apesar dos resultados pouco expressivos da indústria nos últimos dois anos, o setor pode voltar a ter papel fundamental nos resultados futuros.
– A indústria sofreu por falta de dinamismo do mercado mundial, não apenas do mercado brasileiro: o setor poderá crescer mais, aumentaçndo as exportações, em razão do câmbio mais favroável – acrescentou.
De acordo com Mantega, o cenário futuro será influenciado por estabilidade cambial, investimentos crescentes e ingressos de capitais no país. Os empresarios brasileiros poderão também ter mais crédito no exterior.
Resultado positivo
O país poderia ter entrado em recessão técnica – quando há retração por dois trimestres seguidos – no final do ano passado porque no terceiro trimestre de 2013 o PIB havia encolhido 0,5% sobre o período imediatamente anterior. A última vez que o país viveu essa situação foi no final de 2008 e início de 2009, auge da crise financeira internacional. O resultado do trimestre passado sobre os três meses anteriores veio com a expansão do setor de serviços (0,7%) e do consumo das famílias (0,7%) e do governo (0,8%). A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – medida de investimentos – também mostrou resultado positivo, de 0,3%.
Nesta comparação, no entanto, a agropecuária parou de crescer e a indústria encolheu 0,2%, um sinal de fraqueza que chamou a atenção dos especialistas.
– A queda da indústria deixa evidente que o que está mantendo o país com uma taxa de crescimento apenas moderada são os problemas no campo da oferta e isso deve continuar neste ano – disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, que vê expansão de 1,8% do PIB em 2014.
O fim de 2013 havia surpreendido pelos fracos resultados na indústria e no varejo, que também jogaram água fria sobre as expectativas de recuperação em 2014, um ano eleitoral e que pode dificultar ainda mais a vida da presidente Dilma Rousseff, que vai tentar a reeleição. A confiança do consumidor também iniciou o ano mostrando fraqueza. Em fevereiro, atingiu seu menor nível desde maio de 2009.
– O ano começou com muita incerteza. O mercado esperava uma queda no investimento, o que não aconteceu. É possível que o aumento do investimento tenha a ver com maiores estoques. Assim, devemos ter um número mais fraco do PIB no primeiro trimestre – afirmou o economista da gestora de recursos Saga Capital Gustavo Mendonça.
Boa notícia
Em 2013 como um todo, a FBCF foi a boa notícia, com crescimento de 6,3% sobre o ano anterior, que passou a ter participação positivo no resultado anual, de 1,3 ponto percentual. Também se destacou o setor agropecuário, com alta de 7% no período, mas que tem um peso menor no PIB do que Indústria e Serviços.
O consumo do governo teve expansão de 1,9% no ano passado, enquanto que o das famílias, de 2,3%. Neste caso, apesar de ter respondido por 1,4 ponto percentual do PIB de 2013, foi o pior resultado desde 2003, influenciado pelos juros mais elevados e pelo câmbio. Para 2014, os especialistas, segundo última pesquisa Focus do Banco Central, apontam que o PIB deve crescer ainda menos, apenas 1,67%, expectativas que vêm se deteriorando a cada dia. No final do ano passado, elas indicavam crescimento de 2%.
O IBGE informou ainda que as exportações de bens e serviços cresceram 2,5% no ano passado sobre 2012, enquanto as importações de bens e serviços tiveram expansão de 8,4% no período.
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