Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Piauí não tem receita para atender reivindicações de policiais, diz governador

Domingo, 13 de Junho de 2004 às 10:57, por: CdB

O governador do Piauí, Wellington Dias, está otimista em relação ao fim da greve dos policiais civis e agentes penitenciários nesta segunda-feira. Eles entraram em greve na última terça-feira para reivindicar a implantação do Plano de Cargos e Salários, reajuste de 28% e o pagamento da segunda parcela do décimo-terceiro salário referente a 2003.

Na segunda-feira, os policiais militares fazem assembléia e podem aderir à paralisação. O governador pediu ao governo federal o envio de tropas ao estado para garantir o funcionamento das delegacias e presídios, além da segurança da população.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Wellington Dias informou que o Estado não tem como oferecer agora ganhos reais aos servidores porque não tem receita. "Nós temos uma dependência muito grande da receita partilhada com a União, que teve um crescimento negativo de 3%, e isto coloca o governo do Piauí em dificuldade para negociar a pauta de reivindicações dos grevistas", explica. O Fundo de Participação dos Municípios representa dois terços da receita do estado.

O governador disse que quando assumiu seu mandato, em 2003, um soldado recebia, no Piauí, cerca de R$ 550 e hoje o salário é de R$ 800. Já os agentes penitenciários ganham atualmente R$ 1.400. "Não se tira leite de pedra, nós podemos continuar negociando com ou sem greve", acrescenta.

Wellington Dias informou ainda que o Estado não pode ter reduzida sua capacidade de investimento em áreas como turismo ecológico, com o Pólo do Delta do Vale do Parnaíba e os sítios arqueológicos; na mineração, atraindo empresas como a Vale do Rio Doce que está explorando reservas de níquel; e no agronegócio, com a produção de grãos, de mel, e camarão, para gerar renda e postos de trabalho no Piauí.

- Estamos investindo em infra-estrutura para atrair esses investimentos que vão melhorar a nossa receita e gerar desenvolvimento - lembra o governador.

O Piauí tem uma receita total de R$ 2 bilhões por ano. Parte desse dinheiro vai para os municípios e para a folha de pagamento dos servidores estaduais, que gira em torno de R$ 800 milhões, equivalentes a 52% da receita do estado, um pouco acima do que exige a Lei de Responsabilidade Fiscal (49%).

A dívida do Estado com a União consome anualmente R$ 300 milhões, equivalentes a 22% da receita total. Segundo o governador, há um esforço do governo estadual para melhorar as receitas. "Estamos fazendo a reforma da Previdência, separando o pagamento dos servidores inativos dos ativos", afirma.

No caso da manutenção da greve da Polícia Civil e dos agentes penitenciários e da adesão dos policiais militares, o Comando Militar do Nordeste vai reforçar as tropas federais sediadas em Teresina para garantir a segurança da população. O general Júlio Lima Verde, da Décima Região Militar, com sede em Fortaleza, vai comandar as forças no estado. Em uma primeira fase, as tropas estarão se concentrando na capital piauiense e depois seguirão para o resto do Estado. O Comando Militar do Nordeste divulgou nota no sábado reiterando a missão constitucional do Exército de manter a normalidade no Piauí.

Tags:
Edições digital e impressa