O Piauí possui 750 mil pessoas vivendo sem luz elétrica, correspondentes a 26,79% da população, noticiou o Meio Norte. Significa que cerca de 150 mil casas do Estado não possuem energia elétrica, informou ontem o coordenador estadual do Conselho Gestor da Univesalização de Energia, Júlio Rodrigues.
Excluídos do sistema de fornecimento de energia elétrica, os piauienses que correspondem a um quarto da população estão fora de cadeias produtivas lucrativas e vivem marginalizados em relação ao moradores de localidades próximas que têm o benefício e aos centros de decisão.
A falta de energia elétrica funciona como forma de isolamento de número expressivo de piauienses. Isolados na localidade Lagoa de Pedra, na zona rural do município de Capitão Gervásio Oliveira, a 545 quilômetros de Teresina, o casal de agricultores Francisco Felipe Ribeiro, de 48 anos, e Teresa Teodora, de 51 anos, sempre viveram no escuro.
Durante a noite conversam entre si e com a única vizinha, a mãe de Teodora, e duas netas, enquanto ouvem um rádio em torno do único ponto de luz, uma lamparina de querosene, que não ilumina muito.
Não distante da uma rede de energia elétrica, o casal sabe a razão de não ter direito à luz, apesar de viver no limite entre os dois municípios, Capitão Gervásio Oliveira e Campo Alegre do Fidalgo.
- A questão é política. Quando os municípios foram emancipados, eu fiquei como eleitor de Campo Alegre e minha mulher como eleitora de Gervásio Oliveira. Por causa dessa divisão, nem um município nem outro ajuda a gente - conta Francisco Felipe, que vive de plantar milho e feijão e não conseguiu o seguro-safra, apesar de faltar chuva para prosperar a lavoura.
Teresa Teodora se inscreveu no Programa Fome Zero, no de emergência e as netas no Programa Bolsa-Escola.
- Não recebemos nada. Deixo meu nome lá de graça, porque só quem está recebendo o Programa Fome Zero são as pessoas ligadas ao prefeitos - falou Teodora.
Ela e o marido lembram que foram excluídos, respectivamente, do Programa Fome Zero e do Seguro-Safra, mas fazendeiros, grandes proprietários de terra e pessoa ligadas à Prefeitura Municipal estão sendo assalariados e detentores de renda fixa.