A Polícia Federal vai investigar a atuação de grupos de extermínio na divisa de Pernambuco com a Paraíba. A determinação é do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Um dos casos a serem investigados é o assassinato de Flávio Manoel da Silva, de 33 anos, morto a tiros por duas pessoas que passavam de moto perto de sua casa. Dias antes de ser morto, Flávio prestou depoimento à relatora de Execuções Sumárias da Organização das Nações Unidas, Asma Jahangir. A relatora está no Brasil para fazer um relatório sobre execuções sumárias no país e a atuação de grupos de extermínio. Flávio sobreviveu a um atentado em 99, que o deixou paraplégico.
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados identificou que em 1999, 1.148 pessoas foram assassinadas por policias ou grupos de extermínio. O Rio de Janeiro e a Bahia lideram a lista, com 259 e 250 mortes, respectivamente. Segundo o relatório, 81,79% dos casos são praticados por policiais civis ou militares.
As vítimas de grupos de extermínio e de autores de execuções sumárias têm perfil definido no Brasil: negros, pobres, moradores da periferia, com idade entre 15 e 24 anos. Na maioria dos casos, trata-se de réus primários ou de suspeitos de crimes, que poderiam passar por um processo de reinserção ou de reeducação social.
PF vai investigar grupos de extermínio no Nordeste
Quinta, 02 de Outubro de 2003 às 07:42, por: CdB