Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 2026

PF vai abrir representação contra Protógenes Queiroz

Terça, 22 de Julho de 2008 às 09:15, por: CdB

A Polícia Federal pretende abrir um inquérito para investigar as denúncias do delegado Protógenes Queiroz, que acusa a cúpula da instituição de ter obstruído a Operação Satiagraha. Segundo fonte, a PF avalia que Protógenes cometeu um "grave erro" ao acusar superiores de o terem isolado no instante crucial da missão que levou o sócio-fundador do grupo Opportunity, Daniel Dantas, para a cadeia.

O delegado deverá ser chamado a depor, nos próximos dias, e terá que provar o que apontou em representação de 16 páginas entregue na quinta-feira à Procuradoria da República. Se não provar, poderá ser enquadrado por denunciação caluniosa - crime contra a administração pública a partir de revelações contra alguém que sabe ser inocente.

A operação, deflagrada no último dia 8, levou à prisão 18 pessoas - além de Dantas, o megaivestidor Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta, empresários e doleiros envolvidos em possivel esquema de desvio de recursos públicos, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Protógenes saiu do caso sexta-feira. Oficialmente, ele deixou Satiagraha para fazer o Curso Superior de Polícia, em Brasília.

A representação está sob análise do procurador da República Roberto Diana, que expediu ofícios aos delegados Roberto Troncon, chefe da Divisão de Combate ao Crime Organizado, Paulo de Tarso Teixeira, chefe da Divisão de Combate a Crimes Financeiros, e ao superintendente regional da PF em São Paulo, Leandro Daiello Coimbra. No documento, o procurador pede informações sobre a operação e cópia integral da gravação do encontro em que Protógenes teria admitido a necessidade de deixar a investigação para fazer o curso.

Na cadeia

O Judiciário resolveu manter preso Humberto José da Rocha Braz, considerado o braço direito do banqueiro Daniel Dantas. O Tribunal Regional Federal de São Paulo indeferiu, nesta terça-feira, a liminar que pretendia um habeas-corpus para o suspeito, encarcerado há 10 dias por causa das investigações da Operação Satiagraha. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia negado sua soltura na semana passada, após a defesa pedir a extensão do benefício concedido a Dantas.

Segundo o advogado de Braz, Renato de Moraes, seu cliente não oferecia risco de fuga nem poderia prejudicar o andamento das investigações. A desembargadora Ramza Tartuce, do TRF, entendeu, porém, que o pedido de prisão preventiva contra Braz está suficientemente fundamentado. Com a decisão, permanecerá preso na Penitenciária de Tremembé. Ele e Hugo Sérgio Chicaroni são os dois únicos acusados na Operação Satiagraha que continuam detidos. Eles foram flagrados tentando subornar com US$ 1 milhão um delegado da PF para que os nomes de Dantas e de dois familiares fossem retirados das investigações.

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