Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

PF tenta negociar libertação de reféns em Roraima

Quarta, 07 de Janeiro de 2004 às 10:16, por: CdB

A diocese de Roraima informou nesta quarta-feira que uma comissão formada por agentes da Polícia Federal está na aldeia Surumu, em Roraima, tentando negociar a libertação de três padres e 15 adolescentes, mantidos reféns em um protesto de índios dissidentes contra a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol.

Segundo o padre Edson Damian, da diocese de Roraima, os padres estão sendo submetidos a atos de violência física e psicológica.

- Apesar das autoridades dizerem que não há violência, imagens da TV mostraram os missionários amarrados e sofrendo humilhações - afirmou o padre.

Para Damian, o protesto seria organizado por fazendeiros contrários à criação de uma reserva com área contínua - reivindicação básica dos índios, para quem a descontinuidade impediria a manutenção de seu território. Eles teriam cooptado índios evangélicos que também são contra a homologação.

Parte da oposição de alguns índios à demarcação da reserva deve-se a questões de peso religioso. Por serem evangélicos, opõem-se à presença da Igreja Católica, defensora da homologação de áreas contínuas da reserva Raposa Serra do Sol. A missão Consolata, da qual fazem parte os padres presos, está no local desde 1948, segundo Damian.

A polêmica em torno da reserva é agravada pelas próprias dimensões da área, de 1,75 milhão de hectares, ou 7,7 por cento do Estado. A região da reserva é habitada por quase 15 mil índios, distribuídos em 148 aldeias. A área abrange ainda fazendas e três cidades.

Em 1998, a região foi declarada posse permanente dos índios macuxi, uapixana, ingaricó e taurepangue. Porém, o governo do Estado entrou com ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter o processo. Parte da propositura foi derrubada neste ano.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, pretende homologar toda a área da reserva ainda em janeiro, incluindo as posses de não-índios incluídas na região. a área da reserva ainda em janeiro, incluindo as posses de não-índios incluídas na região.

O Ministério da Justiça, informou por meio de sua assessoria, que ainda está obtendo informações sobre a situação no local.

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