Rio de Janeiro, 18 de Abril de 2026

PF quer quebrar sigilo bancário de assessor de Palocci

A Polícia Federal vai solicitar à Justiça Federal, nesta segunda-feira, a quebra do sigilo telefônico do jornalista Marcelo Netto, ex-assessor de imprensa do então ministro da Fazenda Antônio Palocci. Ele é suspeito de ter participado da violação dos dados bancários do caseiro Francenildo Costa. (Leia Mais)

Domingo, 16 de Abril de 2006 às 17:33, por: CdB

A Polícia Federal vai solicitar à Justiça Federal, nesta segunda-feira, a quebra do sigilo telefônico do jornalista Marcelo Netto, ex-assessor de imprensa do então ministro da Fazenda Antônio Palocci. Ele é suspeito de ter participado da violação dos dados bancários do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que desmentiu o ministro à CPI dos Bingos. Netto teria encaminhado o extrato com a movimentação financeira do caseiro para a revista Época, que divulgou as informações em seu site, no dia 17 de março.

O ofício será encaminhado à juíza Maria de Fátima Pessoa, da 10ª Vara Federal de Brasília. O delegado Rodrigo Carneiro Gomes, titular da investigação, vai solicitar o acesso da PF aos telefonemas efetuados e recebidos por Netto entre os dias 16 e 27 de março. O ex-assessor esteve recentemente na PF em audiência com o delegado Rodrigo para prestar depoimento. Na ocasião, ele se recusou a responder às perguntas sobre o vazamento de dados e usou o direito constitucional de permanecer calado. Apesar do posicionamento, Netto não foi indiciado.

O advogado de Netto, Eduardo Toledo, esteve na PF pelo menos duas vezes ao longo da última semana e afirmou a jornalistas que seu cliente quer colaborar com as investigações.

- Ele estava apenas esperando para ter informações sobre a investigação para poder se pronunciar - disse Toledo, sobre o fato de Netto ter se calado no depoimento.

No relatório parcial do inquérito encaminhado à Justiça na quarta-feira, dia 19, Palocci e Mattoso constam como indiciados por crimes de violação de sigilo funcional e quebra de sigilo bancário. Palocci vai responder, ainda, por prevaricação e denunciação caluniosa e poderá ser condenado a até oito anos de reclusão. Pouco mais de uma semana depois do fato, Palocci deixou o cargo por conta dos indícios constatados pela PF de participação no caso. O então presidente da Caixa Jorge Mattoso, que confessou ter levado o extrato pessoalmente a Palocci, também pediu demissão.

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