Rio de Janeiro, 19 de Outubro de 2026

PF quer criminalizar o porte de aparelhos de escutas telefônicas sem autorização

Sexta, 05 de Setembro de 2008 às 16:00, por: CdB

 O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Luiz Fernando Corrêa, defendeu nesta sexta-feira a criminalização do porte de aparelhos de escuta telefônica.

- Nós queremos o controle. Tanto é que na última quinta-feira encaminhamos uma sugestão ao ministro [da Justiça] Tarso [Genro] e já fizemos chegar a alguns parlamentares que seja criminalizado portar, carregar, ter na posse qualquer parafernália que possa ser utilizada [para escuta]. Porque quando há um incidente criminoso, voltam-se os canhões para a atividade lícita do Estado - declarou.

Corrêa disse que, atualmente, se alguém for pego apenas portando equipamentos de escuta, sem estar em flagrante interceptação telefônica, não poderá ser preso.

- O que eu quero hoje é abordar alguém portando equipamentos de escuta, que não tenha a autorização legal que tem a Polícia Federal para fazer, e prender em flagrante - explicou.

Para o diretor-geral da PF, a lei também tem que reprimir a venda desse tipo de equipamento, que pode ser encontrado até mesmo na internet.

- As tecnologias existem, o que não está regulado é uma capacidade do Estado de enfrentar essa banda ilegal - afirmou.

Corrêa negou que haja excesso de grampos feitos pela PF.

- Num universo de 160 mil inquéritos, há 3,5% com escuta. O problema é que esses 3,5% tratam de criminosos que se entendem acima da lei e historicamente foram tratados pela opinião pública brasileira como pessoas acima de qualquer suspeita. Na medida em que a polícia passa a operar nesse universo, esses 3,5% de inquéritos da Polícia Federal são considerados abusivos - desabafou.

Corrêa disse que é preciso separar o que é atuação legal para produção de provas do que é espionagem.

- A sociedade não pode ser enganada neste momento e colocar todas essas atividades num mesmo lado, fora da legalidade. Temos que separar o que é espionagem criminosa, interceptação criminosa e o que é feito dentro da lei - afirmou.

Ele participou da reinauguração do auditório da PF no Rio, que foi restaurado. O espaço tem lugar para 360 pessoas e faz parte do complexo arquitetônico da instituição. O prédio onde funciona a superintendência da PF foi construído em 1940 e já foi sede da Imprensa Nacional, criada no governo de Getúlio Vargas.

Todo o imóvel passará por uma reforma a partir deste ano. A estrutura será revitalizada e um novo edifício será construído no centro do terreno, que toma uma quadra inteira, na zona portuária da cidade.

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