A Polícia Federal vai solicitar ao Supremo Tribunal Federal o acesso à contabilidade da empresa Coteminas, do vice-presidente da República, José Alencar, que teria recebido um repasse de R$ 1 milhão do Partido dos Trabalhadores, supostamente de um caixa dois do partido. Segundo fonte na PF, o delegado Luís Flávio Zampronha, que investiga as denúncias de existência do chamado "mensalão", também vai pedir a quebra de sigilo das contas do PT, para incluir as investigações no processo que já tramita na corte desde julho.
Com a nova linha de investigação, a PF quer tentar elucidar se houve outras fontes de alimentação do caixa dois do PT além do chamado "valerioduto", esquema de empréstimos bancários viabilizados pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. O processo é comandado pelo STF por conter o envolvimento de figuras do primeiro escalão do governo, como o ex-ministro e ex-deputado José Dirceu (PT-SP), que foi cassado no último dia 30, além de deputados federais.
Segundo informações divulgadas pela CPI dos Correios, em maio deste ano a Coteminas, empresa do ramo têxtil, recebeu a quantia de 1 milhão de reais em espécie. Os recursos teriam sido depositados numa conta do banco Bradesco, onde a empresa tem conta. O dinheiro, segundo a CPI, teria sido levado ao banco em uma mala por uma mulher, que teria justificado o pagamento com o CNPJ do PT. Apesar disso, a saída do dinheiro não está registrada nas 16 contas bancárias do PT que estão em poder da CPI.
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares confirmou à imprensa durante o final de semana, ter feito vários depósitos na conta da Coteminas para cobrir gastos de campanhas eleitorais do partido. Ele afirmou que o partido deve à Coteminas R$ 12 milhões referentes à confecção de camisetas para uso na campanha eleitoral de 2002. Ao todo, teriam sido fabricadas 2,75 milhões de camisetas. A atual direção nacional do PT reconheceu a dívida, mas admite que não há qualquer registro formal da negociação na contabilidade do partido.