A Polícia Federal desencadeou na manhã desta quarta-feira, a Operação Ferreiro, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa baseada na capital paulista, suspeita de quebrar o segredo de Justiça em processos de interceptação telefônica, acessar dados cadastrais de clientes de operadoras e extratos de chamadas de diversos terminais telefônicos.
Segundo a PF, a quadrilha também teria executado “grampos” clandestinos em terminais telefônicos e quebrado o sigilo de contas bancárias, com a participação de funcionário de uma instituição financeira.
Os agentes descobriram que os suspeitos chegavam a cobrar até R$ 3 mil, por varredura em cada linha telefônica, para fornecer informações sobre a existência, o período e a origem do mandado judicial de interceptação. A PF encontrou indícios de que a quadrilha contaria com a participação de prestadores de serviço de empresas, tanto de telefonia fixa quanto de celular e possui uma vasta rede de clientes, incluindo pessoas físicas e jurídicas.
Cento e trinta policiais federais cumprem 17 mandados de prisão, sendo sete preventivas e dez temporárias, além de 28 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Varginha/MG, Jundiaí e São Paulo. Os mandados foram expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte.
As investigações começaram há quatro meses, durante a Operação Bicho Mineiro, deflagrada na semana passada, que culminou com a prisão de sete pessoas em Varginha, inclusive empresários ligados às atividades de comércio e exportação de café e suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, além de outros crimes.
Foi através dos “serviços” contratados com a quadrilha flagrada pela Operação Ferreiro que os empresários investigados obtiveram a informação que seus telefones estavam monitorados pela Polícia Federal, com ordem da 4ª Vara da Justiça Federal em Minas, onde tramita o processo.
Dentre os membros da quadrilha – a maioria detetives particulares e funcionários de empresas de telefonia – quatro já foram denunciados no ano passado e respondem a processos criminais na Justiça Estadual de São Paulo, pelos crimes de interceptação clandestina de comunicações telefônicas (previsto no art. 10 da Lei nº 9.296/96) e formação de quadrilha.
Os presos serão encaminhados para interrogatório nas Superintendências Regionais da PF em Minas Gerais e São Paulo. As penas previstas para os crimes de quebra de segredo de Justiça (art. 10 da Lei nº 9.296/96), formação de quadrilha (art. 288 do Código Penal) e quebra de sigilo bancário (art. 10 da Lei Complementar nº 105/2001), se somadas, podem chegar a 11 anos de reclusão, além de multas.
PF prende quadrilha acusada de violar segredos de Justiça
Quarta, 16 de Julho de 2008 às 08:04, por: CdB